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PF vai utilizar técnicas adotadas em Brumadinho para identificar corpos encontrados no Pará

Os peritos da Polícia Federal, Instituto Nacional de Criminalística e Instituto Nacional de Identificação vão utilizar protocolo internacional de identificação de vítimas de desastres da Interpol (DVI)

A embarcação com vários corpos localizada à deriva na costa do Pará, no último sábado, é aguardada para ser periciada no Instituto Médico Legal (IML) de Bragança, no Pará.

O trabalho de identificação será feito por peritos criminais federais da PF do Pará em conjunto com as equipes do Instituto Nacional de Criminalística (INC) e do Instituto Nacional de Identificação (INI), em Brasília. O processo vai seguir o protocolo internacional de identificação de vítimas de desastres da Interpol (DVI).

Fontes na perícia da Polícia Civil ouvidas pela Itatiaia disseram que as técnicas são semelhantes às utilizadas no rompimento da barragem em Brumadinho, na Grande Belo Horizonte.

Inicialmente, o trabalho de perícia começa por características que podem ajudar na identificação, como marcas na pele, próteses ortopédicas e tatuagens.

Em um segundo momento, a perícia realiza a papiloscopia (coleta de fragmentos de impressões digitais). Quando não é possível a papiloscopia, os peritos podem fazer uma tentativa de identificação por meio da arcada dentária.

Há ainda possibilidade de coleta de material para pesquisa por meio do DNA. Os dados ainda podem ser confrontados com informações de bancos genéticos mantidos nos Estados.

Reboque da embarcação

A Marinha concluiu nessa segunda-feira o reboque da embarcação. O barco foi levado até a comunidade do Castelo, na zona rural de Bragança, município que fica a mais de 200 quilômetros da capital Belém. Na sequência, a embarcação foi colocada em um caminhão prancha para ser transportada até o Instituto Médico Legal (IML) em Bragança.

Segundo a Marinha, ainda não é possível confirmar a quantidade exata de corpos encontrados. Inicialmente, autoridades federais estimaram que cerca de 20 corpos estivessem na embarcação, mas este número não é mais tratado como certo. Os corpos estão em estado avançado de decomposição, o que dificulta o trabalho das autoridades. Em um primeiro momento, informações preliminares apontaram que os ocupantes do barco poderiam ser refugiados haitianos.

No entanto, as informações oficiais da Marinha apontam que não é possível confirmar a nacionalidade do barco. Segundo autoridades locais, a hipótese de que são estrangeiros ganha força. Isso porque não há nenhuma ocorrência de embarcação brasileira desaparecida na região nos últimos dias.

O barco, fabricado com fibra de vidro, com cerca de 13 metros de comprimento, foi encontrado sem motores ou quaisquer sistemas de propulsão e direção. O barco também não apresenta sinais de danos estruturais, o que demonstra que ele não passou por um naufrágio.

O Ministério Público Federal determinou a abertura de duas investigações para apurar o caso.

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Repórter de política na Rádio Itatiaia. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. No Grupo Bandeirantes, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na BandNews FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do BandNews TV. Vencedor de 8 prêmios de jornalismo. Já foi eleito pelo Portal dos Jornalistas um dos 50 profissionais mais premiados do Brasil.
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