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Mais de 65 mil pessoas aguardam transplante de órgãos no Brasil; entenda como funciona fila

Pela primeira vez desde 1998, o Brasil possui mais de 50 mil pessoas na fila para o transplante de órgãos; é crime vender e comprar órgãos humanos

Segundo dados do Ministério da Saúde, mais de 65 mil pessoas aguardam transplante de órgãos no Brasil, um dos maiores números dos últimos 25 anos. Quando se tratando do coração, são 387 pacientes à espera do órgão, entre eles o apresentador Fausto Silva.

Apesar de ser uma fila menor, o transplante do coração é mais complicado porque é um órgão essencial à vida, ou seja, a doação só é possível a partir da morte cerebral de outra pessoa. Além disso, o paciente depende de fatores como peso, altura e tipo sanguíneo para ser compatível.

O rim é o órgão com maior fila, com quase 37 mil pessoas precisando do transplante. Em seguida, a fila para receber novas córneas tem mais de 25 mil pessoas, e o fígado cerca de 2,2 mil, conforme dados do Sistema Nacional de Transplantes (SNT).

Transplante só é feito pelo SUS

No Brasil é crime vender e comprar órgãos humanos. A fila de transplantes é gerida apenas de Sistema Único de Saúde (SUS), sob responsabilidade do Ministério da Saúde. No caso do coração, a espera pode ser de 2 a 18 meses, e depende da urgência e compatibilidade entre doador e receptor.

Isso significa que, apesar da fila respeitar uma ordem cronológica, é feito um cruzamento de órgãos disponíveis com uma lista de pacientes prioritários (conforme a urgência do caso) e compatíveis. Assim, algumas pessoas que tenham entrado depois podem acabar passando na frente. Pacientes que estejam internados, com suporte para o coração e outros órgãos são priorizados, por exemplo.

O Faustão está internado há duas semanas no hospital Albert Einstein e passa por cuidados intensivos. O apresentador depende, no momento, de diálise e medicamentos que ajudam na força de bombeamento do coração.

Conscientização

Após enfrentar a pandemia da Covid-19, o Brasil tem passado por uma situação crítica na doação de órgãos. Pela primeira vez na série histórica, que começou a ser monitorada em 1998, o país possui mais de 50 mil pessoas na fila para o transplante de órgãos, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).

Pela lei, em caso de morte, é a família que decide se a pessoa será doadora de órgãos ou não. Antes de pandemia, a recusa das famílias era cerca de 40%, mas nos últimos anos subiu para 50%.

Em 2022, 432 pessoas entraram na fila para receber um coração novo no Brasil, mas 105 morreram antes do transplante, uma taxa de 24%. No estado de São Paulo, onde Faustão está internado, foram 214 pacientes na fila, sendo que 43 não conseguiram esperar a operação e morreram (20%).

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