A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) emitiu uma nota nesta quinta-feira (17) com diversas recomendações para conter um possível avanço da variante EG.5, da Ômicron, conhecida como Eris, no país. Entre os cuidados, uma das recomendações do órgão é a volta do uso de máscaras para grupos de risco em locais fechados.
A nova cepa do vírus possui uma maior capacidade de transmissão entre os infectados, podendo provocar um aumento no número de casos registrados e confirmados. Por outro lado, ela foi classificada apenas como ‘variante de interesse’ (VOI) e de baixo risco para a saúde pública em nível global, já que não apresentou alterações na gravidade da doença, como na taxa de hospitalização e óbitos.
Ainda conforme o documento, a EG.5 foi identificada em 51 países, mas ainda não há registros no Brasil. O SBI alega que a variante possa já estar circulando no país de forma silenciosa devido ao baixo índice de coleta e análise genômica no Brasil.
Confira as recomendações da Sociedade Brasileira de Infectologia
Calendário vacinal
“Todas as pessoas com 6 meses de idade ou mais devem ter pelo menos 3 doses de vacina realizada. Grupos de risco (pessoas com 60 anos ou mais, imunossuprimidos, gestantes, população indígena e profissionais de saúde) devem ter doses de reforço realizadas com não mais de 1 ano de intervalo da dose anterior, preferencialmente com a vacina bivalente. É importante ressaltar que as vacinas se mantêm ativas na proteção de gravidade e morte para todas as variantes circulantes atualmente, incluindo a EG.5. Uso de máscaras para grupos de risco Uso de máscaras para população de risco em locais fechados, com baixa ventilação e aglomeração caso haja futuramente aumento de casos de síndrome gripal, circulação e detecção viral no Brasil.”
Testagem
“Testagem dos casos de síndrome gripal para redução da transmissão em caso de Covid-19, com isolamento dos casos positivos.”
Tratamento
“No âmbito do SUS, iniciar tratamento dentro dos 5 primeiros dias de sintomas com Nirmatrelvir/ritonavir (NMV/r) disponível na rede pública de saúde, para pacientes com 65 anos ou mais e imunossuprimidos, a partir de teste positivo para covid-19 objetivando reduzir risco de agravamento, complicação e morte, com avaliação médica devido à possibilidade de interações com outras medicações e possíveis contraindicações à sua utilização. Na rede privada de saúde, focando a população mais vulnerável para hospitalização e óbito por covid-19, em situações de impossibilidade de uso do NMR/r considerar alternativamente o uso de Molnupiravir ou Rendesevir nos primeiros dias de sintomas.”
Subvariante ‘desconhecida’
O infectologista Estevão Urbano destaca que a
A nova subcepa foi identificada na Dinamarca e em Israel, e tem nível espantoso e alarmante de mutação, segundo cientistas.
“Essa subvariante é muito desconhecida e a gente precisa ter mais dados. A princípio, temos que prestar atenção por ela ser muito contagiosa e poder causar novo surto. Só não sabemos a intensidade da doença: se é mais leve, sem preocupações mais importantes, ou se vai aumentar e impactar em internações e óbitos”, diz o infectologista, que integrou o Comitê de Enfrentamento à Covid-19 de Belo Horizonte.
Casos
A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou, na última sexta-feira (11), que os casos de Covid-19 detectados em todo o mundo aumentaram 80% em julho, embora a mortalidade tenha reduzido 57%.
Os números coincidem com um aumento perceptível da circulação de novas variantes do vírus em países como Estados Unidos, Reino Unido e França, em pleno verão no hemisfério norte.
Entre 10 de julho e 6 de agosto foram reportados cerca de 1,5 milhão de casos, um aumento de 80% em relação aos 28 dias anteriores, relatou o informe semanal da OMS. O número de mortos caiu 57% e ficou em 2.500.
A OMS alertou que estes números não refletem a situação real, já que os testes de diagnóstico e o monitoramento da pandemia despencaram.