Um relatório divulgado pela ONU nesta quarta-feira (17) aponta que vai chover menos na Amazônia e que o mundo baterá recorde de calor até 2027. Há uma chance de 66% da média anual de aquecimento ultrapassar 1.5°C, entre 2023 e 2027, sendo que pelo menos um dentre os próximos cinco anos será o mais quente da história.
O alerta é da Organização Meteorológica Mundial (OMM) e indica que as as temperaturas globais devem bater recorde por causa dos gases que causam o efeito estufa e do fenômeno El Niño. Em relatório, divulgado hoje, a agência da ONU afirma que existe 98% de chance de um, dentre os próximos cinco anos, ser o mais quente desde o início de registros das temperaturas globais.
As chuvas na Amazônia e em partes da Austrália também devem diminuir de acordo com o relatório. Por outro lado, deve chover mais entre maio a setembro de 2023 a 2027 no Sahel, no norte da Europa, no Alasca e no norte da Sibéria.
O secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, disse que o relatório não significa que a humanidade estará permanentemente excedendo a marca de 1.5°C, especificada no Acordo de Paris sobre Mudança Climática, mas sim um alarme de que este limite será rompido com maior frequência, no futuro.
“Um outro fator é que o fenômeno El Niño, que deve evoluir nos próximos meses, apareça num cenário de combinação de mudança climática induzida por seres humanos que levará as temperaturas globais para patamares desconhecidos”, aponta o relatório.
Descongelamento
O relatório também aponta para o aquecimento do Ártico que poderá ser três vezes mais alto que a média global o que pode provocar impactos na saúde, segurança alimentar, gerenciamento de mananciais de água e meio ambiente.
“Em 2022, a média de temperatura global foi de 1.15°C acima da média de 1850-1900.”
Acordo de Paris
Entre as causas que indicam o aumento das temperaturas globais, o relatório destaca a produção de gases que eleva o aquecimento e a acidificação dos oceanos. “Outra consequência é o derretimento de geleiras e gelo do mar, assim como aumento do nível do mar e temperaturas mais extremas.”
O Acordo de Paris estabelece objetivos de longo prazo que possam direcionar todos os países para que reduzam de forma significativa as emissões de gases que causam o efeito estufa limitando o aumento da temperatura neste século a 2°C para evitar ou reduzir os impactos adversos e perdas e anos que ocorrerão deste quadro.
No próximo dia 22 de maio e até o dia 2 de junho acontecerá o Congresso Meteorológico Mundial que debaterá como fortalecer os serviços de clima e de meteorologia. “Dentre as prioridades estão sistemas de alerta precoce para proteger as pessoas dos desastres naturais.”