Kia negocia fim de parceria histórica e operação própria no Brasil
Fabricante sul-coreana passará a controlar diretamente suas atividades no país a partir de 2027; transição foi comunicada à rede de concessionárias e marca promete manter atendimento aos clientes

A Kia Motors encerrará das parcerias mais duradouras da indústria automotiva brasileira. Após 34 anos de atuação ao lado do Grupo Gandini, responsável pela importação e distribuição da marca desde 1992, a marca sul-coreana, aliada à Hyundai, assumirá a sua operação no Brasil a partir de 1º de janeiro de 2027. A decisão já foi comunicada à rede de concessionárias e marca uma mudança significativa na estratégia da empresa para o mercado nacional.
De acordo com a informação antecipada pelo jornalista João Anacleto, a nova estrutura será administrada por uma subsidiária da própria Kia, alinhando o Brasil ao modelo de operação adotado pela fabricante em diversos mercados internacionais. Com isso, a empresa passará a responder diretamente pelas áreas de importação, vendas, marketing, pós-venda e relacionamento com a rede autorizada.

A transição ocorrerá de forma gradual para evitar impactos nas operações. A Kia informou que pretende preservar a continuidade dos serviços prestados aos clientes, incluindo garantia, fornecimento de peças e atendimento nas concessionárias durante todo o processo de mudança.
É importante lembrar que a Kia era dona da Asia Motors, marca de veículos comerciais que tinha uma dívida de R$ 6 bilhões no Brasil em valor corrigido, contraída na década de 1990. Na época, a empresa recebeu incentivos fiscais para produzir no país as vans Towner e Topic, mas o projeto nunca foi adiante.

Para ter essa dívida perdoada, a Kia estaria negociando com o Governo Federal para construir uma fábrica em Piracicaba-SP até 2028, nas proximidades das instalações da Hyundai. Segundo Anacleto, o complexo deverá gerar 5 mil empregos diretos e mais de 15 mil indiretos.
"Existe a negociação da Kia com o Governo Federal para o perdão da dívida e construção da fábrica, porém ainda não houve uma definição sobre o assunto. Caso o cenário se concretize, vamos começar a negociar o processo de transição. Agora, se o governo não perdoar a dívida, seguirei à frente do negócio", explicou José Luiz Gandini, presidente do Grupo Gandini, importador oficial da Kia no Brasil, à revista Autoesporte.

O Grupo Gandini, sediado em Itu-SP, representa a Kia no Brasil desde 30 de junho de 1992, período em que a marca construiu a sua presença no mercado nacional. Sob o comando do empresário José Luiz Gandini, foram lançados no país modelos como Besta, Sportage, Soul, Cerato, Sorento, Carnival, Picanto e Bongo, consolidando a fabricante entre as principais importadoras de veículos do país.
A decisão faz parte de um plano global da Kia para ampliar o controle sobre suas operações em mercados considerados estratégicos. A expectativa é que a gestão direta facilite a introdução de novos produtos, especialmente veículos eletrificados, além de tornar mais ágeis as decisões comerciais e os investimentos no Brasil.
Guilherme Silva gosta do meio automotivo desde que se conhece por gente, mas começou a trabalhar no setor por acaso. São mais de 15 anos de experiência na área, com passagens por iCarros, Carsale, Webmotors, KBB e Mobiauto, além de ter colaborado com as tradicionais revistas Autoesporte, Motor Show e Quatro Rodas, produzindo matérias de diferentes temas e cobrindo eventos e salões no Brasil e no exterior.



