Belo Horizonte
Itatiaia

Kia negocia fim de parceria histórica e operação própria no Brasil

Fabricante sul-coreana passará a controlar diretamente suas atividades no país a partir de 2027; transição foi comunicada à rede de concessionárias e marca promete manter atendimento aos clientes

Por
Kia Soul sai de linha 17 anos após fazer história com design ousado
Kia Soul saiu de linha 17 anos após fazer história com design ousado • Divulgação Kia

A Kia Motors encerrará das parcerias mais duradouras da indústria automotiva brasileira. Após 34 anos de atuação ao lado do Grupo Gandini, responsável pela importação e distribuição da marca desde 1992, a marca sul-coreana, aliada à Hyundai, assumirá a sua operação no Brasil a partir de 1º de janeiro de 2027. A decisão já foi comunicada à rede de concessionárias e marca uma mudança significativa na estratégia da empresa para o mercado nacional.

De acordo com a informação antecipada pelo jornalista João Anacleto, a nova estrutura será administrada por uma subsidiária da própria Kia, alinhando o Brasil ao modelo de operação adotado pela fabricante em diversos mercados internacionais. Com isso, a empresa passará a responder diretamente pelas áreas de importação, vendas, marketing, pós-venda e relacionamento com a rede autorizada.

Kia Carnival • Divulgação
Kia Carnival • Divulgação

A transição ocorrerá de forma gradual para evitar impactos nas operações. A Kia informou que pretende preservar a continuidade dos serviços prestados aos clientes, incluindo garantia, fornecimento de peças e atendimento nas concessionárias durante todo o processo de mudança.

É importante lembrar que a Kia era dona da Asia Motors, marca de veículos comerciais que tinha uma dívida de R$ 6 bilhões no Brasil em valor corrigido, contraída na década de 1990. Na época, a empresa recebeu incentivos fiscais para produzir no país as vans Towner e Topic, mas o projeto nunca foi adiante.

• Divulgação
• Divulgação

Para ter essa dívida perdoada, a Kia estaria negociando com o Governo Federal para construir uma fábrica em Piracicaba-SP até 2028, nas proximidades das instalações da Hyundai. Segundo Anacleto, o complexo deverá gerar 5 mil empregos diretos e mais de 15 mil indiretos.

"Existe a negociação da Kia com o Governo Federal para o perdão da dívida e construção da fábrica, porém ainda não houve uma definição sobre o assunto. Caso o cenário se concretize, vamos começar a negociar o processo de transição. Agora, se o governo não perdoar a dívida, seguirei à frente do negócio", explicou José Luiz Gandini, presidente do Grupo Gandini, importador oficial da Kia no Brasil, à revista Autoesporte.

• Divulgação
• Divulgação

O Grupo Gandini, sediado em Itu-SP, representa a Kia no Brasil desde 30 de junho de 1992, período em que a marca construiu a sua presença no mercado nacional. Sob o comando do empresário José Luiz Gandini, foram lançados no país modelos como Besta, Sportage, Soul, Cerato, Sorento, Carnival, Picanto e Bongo, consolidando a fabricante entre as principais importadoras de veículos do país.

A decisão faz parte de um plano global da Kia para ampliar o controle sobre suas operações em mercados considerados estratégicos. A expectativa é que a gestão direta facilite a introdução de novos produtos, especialmente veículos eletrificados, além de tornar mais ágeis as decisões comerciais e os investimentos no Brasil.

Por

Guilherme Silva gosta do meio automotivo desde que se conhece por gente, mas começou a trabalhar no setor por acaso. São mais de 15 anos de experiência na área, com passagens por iCarros, Carsale, Webmotors, KBB e Mobiauto, além de ter colaborado com as tradicionais revistas Autoesporte, Motor Show e Quatro Rodas, produzindo matérias de diferentes temas e cobrindo eventos e salões no Brasil e no exterior.