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Recuperações judiciais batem recorde no Brasil; agronegócio registra alta de 66% em um ano

Juros elevados, crédito restrito e endividamento pressionam empresas; caso Casas Bahia expõe desafios para a reestruturação de grandes companhias

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Agronegócio • Pixabay

O número de empresas brasileiras em recuperação judicial chegou ao maior patamar da série histórica do Monitor RGF-BIZDOC, iniciada em 2023. No fim do segundo trimestre de 2026, 6.341 companhias estavam nessa situação, alta de 6,2% no primeiro semestre. Na base completa do levantamento, que considera todos os CNPJs com registro de recuperação judicial, o crescimento foi de 8% no período.

Juros elevados, crédito restrito, endividamento crescente e margens de lucro cada vez menores estão entre os fatores que pressionam as empresas. Segundo Marcelo Tostes, advogado empresarial e conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a combinação dificulta a capacidade de pagamento e pode comprometer até negócios que mantêm um bom volume de vendas.

“O principal fator é mesmo o econômico, com uma combinação perigosa: juros elevados, crédito restrito, endividamento crescente das empresas e margem de lucro cada vez mais apertada. Nós temos a recuperação judicial das grandes empresas, mas temos essa mesma dificuldade nas pequenas empresas também. Uma empresa pode vender bem e, mesmo assim, quebrar porque não consegue suportar o custo financeiro de suas dívidas”, afirma.

Marcelo Tostes, advogado empresarial • Divulgação
Marcelo Tostes, advogado empresarial • Divulgação

Caso Casas Bahia expõe desafios do varejo

Um dos casos recentes é o do Grupo Casas Bahia. A Justiça de São Paulo autorizou o processamento da recuperação judicial da varejista e de outras nove empresas ligadas ao grupo. A companhia busca reorganizar um passivo de aproximadamente R$17,3 bilhões.

Para Tostes, a crise da empresa é resultado de vários fatores, entre eles o endividamento elevado, os juros altos, a retração do consumo e a concorrência das empresas que atuam no comércio digital. O advogado também destaca a dependência do varejo em relação ao crédito, tanto para financiar estoques quanto para oferecer parcelamento aos consumidores. Segundo ele, a recuperação judicial pode abrir espaço para a reorganização financeira, mas não substitui mudanças na gestão e na operação.

“A empresa precisa muito mais do que simplesmente renegociar suas dívidas. Ela precisa reduzir custos, melhorar a sua eficiência, recuperar margem e voltar a gerar caixa para que consiga sair mais uma vez da recuperação judicial. A Justiça pode até dar um tempo para a empresa se organizar, mas não pode transformar um negócio deficitário em um negócio lucrativo por uma simples decisão judicial. A empresa tem que fazer a sua parte”, afirma.

Recuperações judiciais no agronegócio crescem 66% em um ano

O agronegócio enfrenta fortes dificuldades financeiras. De acordo com o levantamento, as recuperações judiciais de empresas ligadas ao setor cresceram 66% em um ano. Entre os fatores que pressionam a atividade estão os juros elevados, os custos de produção e a oscilação dos preços das commodities agrícolas e pecuárias, como soja, café, milho, açúcar e carne.

O advogado explica que o intervalo entre o investimento na produção e o recebimento pela venda da safra aumenta a exposição dos produtores às condições de crédito e às variações do mercado. “O produtor rural normalmente financia o plantio e só recebe lá na frente, depois da colheita. Então, quando o crédito fica caro ou a safra não corresponde à expectativa, o endividamento pode ser insustentável”, diz.

Os efeitos, segundo Tostes, não ficam restritos às propriedades rurais. As dificuldades financeiras podem atingir transportadoras, fornecedores, indústrias e outros elos da cadeia produtiva.

O advogado alerta ainda que a manutenção dos juros em níveis elevados pode agravar o cenário. Para ele, o avanço das recuperações judiciais no agronegócio exige atenção, diante da importância e da competitividade do setor na economia brasileira.

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Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.

 

 

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