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Prêmio Fundação Bunge destaca agricultura familiar e resiliência no campo

Indicações são feitas por universidades e institutos de pesquisa e podem ser submetidas até o próximo domingo (31)

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Prêmio Fundação Bunge destaca agricultura familiar e resiliência no campo
Fundação Bunge/ Divulgação

O Prêmio Fundação Bunge entrou em sua última semana de inscrições. Em sua 71ª edição, a premiação — considerada uma das mais importantes honrarias científicas do país e inspirada no modelo do Prêmio Nobel — definiu dois eixos centrais de debate: a transferência de tecnologias para a agricultura familiar e a produção em cenários de estresse térmico e hídrico.

A escolha dos temas reflete uma visão de longo prazo. O objetivo é mapear e condecorar inovações capazes de ditar as próximas décadas de desenvolvimento no campo, criando pontes aplicáveis tanto na agricultura comercial de exportação em larga escala quanto na produção voltada ao mercado interno de alimentos.

As indicações são feitas por universidades e institutos de pesquisa e podem ser submetidas até o próximo domingo, 31 de maio.

Futuro no Sul Global

De acordo com a diretora-executiva da Fundação Bunge, Cláudia Calais, a consolidação de uma agricultura tropical sustentável é hoje uma demanda global e a resposta para as principais crises climáticas está concentrada no hemisfério sul.

"A produção no Brasil já é muito sustentável, integrando lavoura, pecuária e floresta e utilizando tecnologias como bioinsumos. Agora queremos olhar para esses avanços em relação ao desafio da produção com poucos recursos hídricos", apontou a diretora.

Calais também reforçou o papel indispensável dos pequenos produtores na preservação ambiental, desmistificando a rivalidade entre os modelos de cultivo. "A agricultura familiar tem um papel importantíssimo, assim como a produção de larga escala. Afinal, é o que põe alimento na nossa mesa, mas também o que ajuda a manter os sistemas florestais preservados o suficiente para garantir o clima e a biodiversidade — sem os quais não há possibilidade de produção de grãos".

Categorias e premiação

Ao todo, serão concedidos quatro prêmios (dois para cada tema proposto), divididos em duas categorias que avaliam o momento da carreira do pesquisador:

  • Vida e Obra (R$ 200 mil): Destinado a cientistas, pesquisadores ou ativistas com trajetória consolidada e destaque histórico na área.
  • Juventudes (R$ 80 mil): Voltado a jovens talentos e pesquisadores iniciantes de até 35 anos.

Além do reconhecimento financeiro, o Prêmio oferece um diferencial de mercado: o acompanhamento posterior dos laureados. A Fundação atua no suporte para novas parcerias institucionais e apoia a aplicação prática das tecnologias desenvolvidas em novos cenários comerciais e sociais.

Descentralização da ciência nacional

Um dos fenômenos destacados pela organização do prêmio nos últimos anos é a mudança no mapa da produção científica brasileira. O que antes ficava restrito quase inteiramente ao eixo Rio-São Paulo, hoje se espalha pelo país, impulsionado pela expansão das universidades e institutos tecnológicos pelo interior desde os anos 2000.

"Temos encontrado produção relevante e original em uma diversidade cada vez maior de instituições", explicou Cláudia Calais. Para ela, esse movimento de interiorização ajuda a revelar soluções locais valiosas, que antes ficavam invisíveis, mas que possuem alto potencial de integração à produção de alimentos industrial, competitiva e de escala global.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde