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Pão francês pode subir de novo

A seca na argentina provocou uma das maiores quebras de safra do trigo no país e pode trazer preços mais altos para o Brasil

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Preço do pão pode disparar no país
Preço do pão pode disparar no país • Freepik / Divulgação

Se o pão francês chegar com preços mais altos em breve, a culpa fica por conta da forte seca e geadas que atingiram em cheio a Argentina, que também teve sérios problemas com seu rebanho bovino e o volume da soja na apuração final da safra.

A seca no sudoeste do Rio Grande do Sul não afetou a produção do trigo brasileiro que obteve cerca de 10 milhões de toneladas com boa qualidade, o que representa 70% da necessidade brasileira para o consumo. O Brasil está disparando na produção de trigo, agora produzido também no cerrado, com previsão de se tornar autossuficiente nos próximos 3 anos.

Se o Brasil produziu 10 milhões de toneladas a perda argentina também ficou no volume de 10 milhões, ocasionando uma preocupação internacional com o trigo no início de 2023. E um dos primeiros países afetados com essa crise portenha, sem dúvida será o Brasil!

Não por agora, mas a partir de março, abril. Havendo demanda não há como fugir da relação com os preços mais elevados e o café da manhã fica mais caro não só com o pão francês, mas também com os demais derivados do trigo.

A Cogo Inteligência em Agronegócio faz um comparativo entre os preços da saca de 60 kg de trigo hoje no mercado internacional:

  • Brasil: R$ 100

  • Argentina: R$ 143

  • Estados Unidos: R$ 151

Isso diz claramente que se o Brasil importar o trigo argentino o custo aumenta em 40%, se for dos Estados Unidos paga 50% mais caro que o preço praticado hoje por aqui.

Segundo a consultoria da Corgo, a Argentina tinha 15 milhões de toneladas para exportar no ano passado e hoje não chega a 7 milhões.

Independentemente da crise argentina o risco de desabastecimento inexiste porque Rússia e Ucrânia, grandes produtores mundiais, continuam exportando. Só não vamos escapar dos preços mais elevados do trigo, farinha e derivados.

O estoque brasileiro é bom mas não o suficiente para suportar a demanda anual e quando o pãozinho brasileiro ameaçava a ganhar menores preços no Sul do país, a realidade dos números muda toda uma projeção que parecia nos deixar mais tranquilos.

É aguardar para ver!!!

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Produtor rural no município de Bambuí, em Minas Gerais, foi repórter esportivo por 18 anos na Itatiaia e, por 17 anos, atuou como Diretor de Comunicação e Gerente de Futebol no Cruzeiro Esporte Clube. Escreve diariamente sobre agronegócio e economia no campo.