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O pão e a inflação mundial de alimentos; Putin alerta!

Além do trigo e do milho da Ucrânia, Rússia ameaça não exportar fertilizantes para a União Europeia

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Fábrica em São Gotardo, em Minas Gerais
Fábrica em São Gotardo, em Minas Gerais • Agritech | Divulgação

A "cesta de pão da Europa", como é conhecida a Ucrânia, pode atormentar novamente a inflação global dos alimentos como no ano passado. Tudo pode acontecer a partir do segundo semestre se não houver acordo entre os países do Ocidente e a Russia.

Em seu canal no Telegram, o ex-presidente russo Dmitry Medvedev, atual vice-presidente de Putin no Conselho de Segurança do país, trata o anúncio do G7 como total idiotice porque nada mais é que uma via de mão dupla. Toma lá, dá cá!

Enquanto o G7, grupo que reúne as maiores potências como Estados Unidos, Japão, Reino Unido, Alemanha, França, Itália e Canadá, anuncia que vai continuar apertando o cinto da Rússia o contra-ataque ao Ocidente é inevitável.

O G7 defende uma proibição de quase 100% das exportações para a Rússia, segundo fontes do governo japonês.

Os russos respondem de forma prática e simples que vão encerrar o acordo de grãos pelo Mar Negro antes mesmo da data prevista que é 18 de maio.

A Ucrânia é considerada a "cesta de pão da Europa" por ser a maior exportadora mundial de trigo, trazendo reflexos negativos também para as Américas como aconteceu ano passado com a subida dos preços dos pães, massas e derivados.

A Ucrânia também é grande exportadora milho, soja, óleo de girassol e cevada, deixando para a Rússia o comando dos fertilizantes e combustíveis minerais.

Ao Brasil não faltou fertilizantes, porém, os preços dispararam em até 300% e o resultado foi uma inflação que castigou o consumidor brasileiro. Não escapou um alimento sem aumento. Em alguns casos, o consumo foi deixado de lado por boa parte da população.

Os fertilizantes são a base da agricultura e o conflito no Leste Europeu acendeu o sinal vermelho para muitos países, inclusive o Brasil, um dos maiores importadores mundiais de fertilizantes.

E o reflexo disso se estende para muitos produtores até o momento, porque boa parte deles "exagerou" nos estoques temendo a falta ou um aumento maior dos produtos. Já no início da última safra, os preços caíram e muitos agricultores plantaram com o preço do dia ao passo que outros pagavam na inflação de julho passado.

Valores do milho e da soja, principalmente, despencaram no mercado internacional e nacional e muitos correm em busca do empate na conversão do plantio com a comercialização.

O Brasil acordou! Sem nunca ter imaginado que os fertilizantes um dia poderiam nos colocar em posição de perigo. E Minas Gerais caminha para ser o maior produtor de potássio do país levando a vantagem de ser um produto sem cloro, que pode ser usado também na agricultura orgânica. Um avanço!

O mineiro de Pains, Cristiano Veloso, é o fundador da empresa Verde Agritech, fundada na Inglaterra e com capital aberto em Toronto, no Canadá. Cristiano carrega em sua assessoria o ex-ministro Alysson Paolinelli, que abriu os olhos da empresa para a agricultura do futuro, Agricultura Verde.

A fábrica da empresa está em São Gotardo, interior mineiro, multiplicando ano a ano a sua produção de potássio "limpo" e em pouco tempo espera-se que sejamos, pelo menos, 50% autossuficientes no principal composto dos fertilizantes.

Hoje, o Brasil importa mais de 90% do potássio necessário para o consumo nacional, mas o quadro está mudando.

Como diz fundador e CEO da Verde, Cristiano Veloso, 40 anos, o mundo não pode ficar dependendo somente de dois países que produzem em alta escala. O Canadá detém 30% do potássio mundial e a Rússia fica com 50%.

Infelizmente, quem brigar com a Rússia corre o risco de passar fome!

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Produtor rural no município de Bambuí, em Minas Gerais, foi repórter esportivo por 18 anos na Itatiaia e, por 17 anos, atuou como Diretor de Comunicação e Gerente de Futebol no Cruzeiro Esporte Clube. Escreve diariamente sobre agronegócio e economia no campo.