Governo lança Plano Safra da Agricultura Familiar com R$ 97,4 bilhões e juros menores
Com R$ 85,2 bilhões em crédito, novo ciclo terá mais da metade dos recursos geridos por subsídio direto do Tesouro Nacional para baratear custos na ponta

O Governo Federal lançou oficial nesta terça-feira (30), em cerimônia no Palácio do Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli, o Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/27. Ao todo, o governo vai mobilizar R$ 97,4 bilhões para o setor — somando o crédito rural e outras políticas de apoio à categoria.
A fatia principal, destinada exclusivamente aos financiamentos, será de R$ 85,2 bilhões, um montante 9% superior aos R$ 78,2 bilhões da temporada anterior e que superou a meta inicial do próprio Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), que havia solicitado R$ 82 bilhões.
O volume de financiamento para este ciclo está distribuído para incentivar tanto o dia a dia das lavouras quanto a modernização das propriedades rurais:
- R$ 45,2 bilhões para investimentos (compra de maquinário, tecnologia e melhorias na infraestrutura).
- R$ 40 bilhões para crédito de custeio (insumos, sementes e despesas operacionais), mantendo estabilidade frente aos R$ 40,2 bilhões do ciclo anterior.
Pela primeira vez, mais da metade do montante total ofertado (52%) contará com recursos equalizados, somando R$ 44,4 bilhões. Isso significa que o Tesouro Nacional vai subsidiar diretamente a diferença entre as taxas de mercado dos bancos e os juros cobrados na ponta para o produtor. Os R$ 40,8 bilhões restantes virão de recursos controlados de fundos constitucionais e depósitos à vista, que possuem juros fixados pelo governo, mas sem a necessidade de equalização.
Redução de juros
Nas negociações com a equipe econômica, o MDA garantiu cortes de 0,5 a 1 ponto percentual nas taxas de juros das principais linhas do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar). A grande prioridade do governo neste ano é baratear o custo de produção dos alimentos de consumo direto da população para combater a inflação nos supermercados.
A faixa geral de juros para o custeio caiu para a janela de 1% a 7,5% ao ano (no ciclo passado, a variação ia de 2% a 8%). As quedas mais expressivas ficaram com as lavouras estratégicas e sustentáveis:
- Alimentos básicos (arroz, feijão, mandioca e hortaliças): os juros caíram de 3% para 2% ao ano.
- Produção orgânica e agroecológica: a taxa foi cortada exatamente pela metade, recuando de 2% para 1% ao ano.
Com taxas de juros que chegam ao piso histórico de 1% para a transição ecológica, o plano desenha uma estratégia clara: usar o subsídio do Estado para colocar mais comida de qualidade no mercado urbano, transformando as cidades a partir do fortalecimento do pequeno produtor no campo.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



