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Agro de MG exporta US$ 7,37 bilhões até maio e mantém terceira posição nacional

Apesar de recuo de 12,9% puxado pelo menor volume de café, estado responde por 10,3% dos embarques do país; carnes crescem dois dígitos

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Café lidera pauta exportadora
Café lidera pauta exportadora • Diego Vargas / Seapa-MG

O agronegócio de Minas Gerais movimentou US$ 7,37 bilhões em exportações nos primeiros cinco meses de 2026. O resultado consolida o estado como um dos principais protagonistas do comércio internacional do setor, respondendo por uma fatia de 10,3% de todas as vendas externas do agronegócio brasileiro entre janeiro e maio.

O desempenho atual representa uma retração nominal de 12,9% no faturamento em comparação com o mesmo período do ano passado, acompanhada por um recuo de 7,5% no volume total embarcado, que somou 6,58 milhões de toneladas.

A oscilação mineira ocorreu em um momento de expansão para o agronegócio do Brasil, que registrou avanço médio de 4,8% em valor e volume. De acordo com a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa-MG), o cenário local reflete acomodações produtivas específicas de culturas com forte peso na matriz econômica do estado.

“Os resultados foram influenciados principalmente pelo comportamento de cadeias de grande peso na pauta estadual, especialmente café e complexo sucroalcooleiro. Ainda assim, segmentos como soja e carnes contribuíram para equilibrar o desempenho e demonstram a capacidade de diversificação do agro mineiro”, destacou a assessora técnica da Seapa, Manoela Teixeira.

Café lidera receita e soja compensa recuos

O café mantém-se isolado como o principal produto da pauta exportadora de Minas Gerais. Sozinho, o grão gerou US$ 3,82 bilhões em receita de janeiro a maio, o que equivale a 52,1% de tudo o que o setor faturou no comércio exterior.

Ao todo, o estado embarcou 9,03 milhões de sacas do produto — volume 26,4% menor que o registrado no mesmo intervalo de 2025. Essa redução na quantidade puxou o valor total do grupo para baixo em 21%. Por outro lado, o preço médio do café mineiro subiu 7,3%, sinalizando que a queda no faturamento esteve atrelada à menor disponibilidade de safra para embarque, e não à perda de competitividade ou desvalorização internacional.

O complexo da soja garantiu a segunda posição do ranking, injetando US$ 1,68 bilhão na economia do estado, abocanhando 22,9% de participação.

“O desempenho da soja ajudou a compensar parcialmente os resultados negativos de outras cadeias e reforçou a importância da produção de grãos para a inserção internacional do agronegócio mineiro”, avalia Manoela Teixeira.

Carnes avançam dois dígitos e ganham espaço

O grande destaque positivo do período ficou por conta do segmento de carnes, que assumiu a terceira colocação na pauta exportadora com US$ 753,8 milhões faturados (10,3% do total). O grupo registrou uma expansão de 10,8% em valor, impulsionada pelo avanço simultâneo no volume enviado e nos preços médios pagos pelo mercado internacional.

A carne bovina liderou com folga o desempenho do setor de proteína animal, somando US$ 541,2 milhões e anotando um crescimento de 12% na receita.

Veja o ranking:

  • 1º Café: líder isolado da pauta, faturou US$ 3,82 bilhões e respondeu por 52,1% de toda a receita exportadora do setor no estado.
  • 2º Complexo da soja: segunda força do comércio exterior mineiro, gerou US$ 1,68 bilhão em vendas, com uma participação de 22,9%.
  • 3º Carnes: garantiu a terceira posição com US$ 753,8 milhões acumulados (10,3% da pauta), tendo como grande destaque a carne bovina, que somou US$ 541,2 milhões desse total.
  • 4º Produtos florestais: ocupou o quarto lugar, registrando US$ 445,8 milhões em exportações e alcançando uma fatia de 6,1%.
  • 5º Complexo sucroalcooleiro: fechou o ranking dos cinco principais grupos com US$ 351,3 milhões em vendas externas, representando 4,8% da pauta estadual.

Destinos comerciais: China no topo e novos mercados no radar

A China preserva o posto de maior parceira comercial do agronegócio mineiro. De janeiro a maio de 2026, o país asiático desembolsou US$ 1,90 bilhão na compra de produtos do estado, concentrando 25,8% do market share das exportações.

Logo atrás, o bloco composto por Estados Unidos, Alemanha, Itália e Japão respondeu, de forma conjunta, por 54,6% do faturamento do período.

Embora alguns parceiros tradicionais tenham comprado menos nos primeiros meses deste ano, o balanço técnico aponta para um movimento estratégico de descentralização: o aumento das vendas para países da Ásia, do Oriente Médio e o avanço expressivo do mercado italiano indicam novas rotas para a diversificação dos produtos mineiros no globo.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.