Frio mata mais de 80 bovinos em MS e Iagro acende alerta para pecuaristas
Agência estadual investiga perdas em Nova Andradina e Angélica, e reforça cuidados com o rebanho diante da primeira frente fria do ano

A Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal de Mato Grosso do Sul (IAGRO) confirmou o recebimento de notificações sobre a morte de ao menos 83 animais em propriedades rurais no interior do estado. Até a tarde desta terça-feira (26), o balanço registrava a perda de 74 bovinos em quatro fazendas na região de Nova Andradina e outros 9 animais em uma propriedade no município de Angélica. Todos os casos estão sendo formalmente investigados pelo órgão.
O aumento nas ocorrências coincide com o alerta meteorológico sobre a chegada da primeira frente fria de 2026. Segundo a IAGRO, o histórico do estado acende um sinal de alerta: em 2023 e 2024, Mato Grosso do Sul registrou inúmeros episódios de mortalidade bovina por hipotermia decorrente de quedas bruscas de temperatura. Embora o ano de 2025 não tenha registrado perdas desse tipo, o órgão considera urgente que os produtores adotem medidas preventivas imediatas.
O risco de morte por hipotermia é potencializado quando o frio intenso é acompanhado por chuvas e ventos fortes. A agência explica que o impacto varia conforme a idade, a raça, o estado nutricional e o escore corporal do rebanho, além da presença ou ausência de abrigos nos pastos. A exposição prolongada a essas condições climáticas extremas compromete a capacidade de recuperação dos animais e desregula suas funções fisiológicas, levando a óbitos rápidos.
Para mitigar novos prejuízos, a IAGRO recomenda ações práticas de manejo: recolher os animais (especialmente os debilitados) em piquetes protegidos por capões de mata ou barreiras que reduzam o vento frio; evitar pastagens próximas a rios ou lagos; e fornecer suplementação alimentar para compensar o estresse fisiológico causado pelo clima.
Produtores que identificarem taxas de mortalidade acima do normal devem acionar a IAGRO imediatamente para que fiscais realizem a inspeção e a baixa oficial no estoque de animais. Caso a visita técnica não seja possível, o proprietário deverá apresentar um laudo emitido por um veterinário particular. A agência destaca ainda que a remoção das carcaças deve ser feita rapidamente para evitar surtos de botulismo e outras doenças nas pastagens. Dúvidas e orientações adicionais podem ser tratadas diretamente com o órgão pelo WhatsApp (67) 99961-9205.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde



