Exportação de suco de laranja cresce 9,6% em volume, mas receita cai no 1º trimestre da safra
Embora o volume embarcado tenha atingido 203,2 mil toneladas entre julho e setembro, o faturamento caiu e somou US$ 489,7 milhões, pressionado pela oscilação de preços. América do Norte lidera as compras

As exportações brasileiras de suco de laranja pelo Porto de Santos encerraram o primeiro trimestre da safra 2026/27 (período de julho a setembro) com um cenário de recuperação em volume, mas de retratação no faturamento. No total, foram embarcadas 203,2 mil toneladas de FCOJ equivalente (suco concentrado congelado a 66° Brix), o que representa um crescimento de 9,6% em relação às 185,4 mil toneladas registradas no mesmo período do ciclo anterior.
Por outro lado, a receita gerada pelos embarques recuou 34,4% na mesma base de comparação, somando US$ 489,7 milhões contra US$ 746,2 milhões no primeiro trimestre da safra 2025/26. Os dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) foram compilados e divulgados pela Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR).
Para o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto, a retomada do ritmo de embarques é positiva, mas ainda exige cautela. “Sem dúvida, é uma boa notícia perceber alguma recuperação no volume exportado em relação à safra passada. Porém, esse mesmo volume ainda está 14% abaixo da média das últimas cinco safras, que é de 237 mil toneladas”, avaliou o executivo.

América do Norte lidera o consumo; Ásia registra altas expressivas em volume
Os Estados Unidos e Canadá mantiveram o posto de principal destino do suco de laranja brasileiro, absorvendo 47,2% do total exportado. O bloco norte-americano importou 96,0 mil toneladas (alta de 6,4% frente às 90,2 mil toneladas da safra 2025/26), movimentando US$ 226,6 milhões em receita (queda de 32,7%). Na comparação de longo prazo, o volume enviado à região cresceu 53,6% em cinco safras (desde 2022/23).
A Europa respondeu por 45,2% dos embarques, somando 91,8 mil toneladas (+4,8%) e US$ 222,7 milhões em faturamento (-39,7%). Apesar da leve alta pontual no trimestre, o mercado europeu acumula uma retração histórica de 48,7% no volume importado ao longo dos últimos cinco ciclos.
Nos mercados asiáticos e emergentes, o trimestre registrou fortes variações percentuais na movimentação de carga:
- China: terceiro maior comprador isolado, demandou 7,3 mil toneladas (3,6% do total), com faturamento de US$ 18,0 milhões. O volume representa um salto de 111,5% ante o ciclo passado, embora a receita tenha caído 4,7%. Em cinco safras, o país acumula queda de 52,6% no volume.
- Japão: importou 2,7 mil toneladas (1,3% do total) por US$ 7,3 milhões, crescimento de 66,9% em volume e recuo de 22,5% em receita. No acumulado de cinco safras, o mercado japonês apresenta retração de 66,6%.
- Coreia do Sul: voltou a registrar compras após zerar os embarques no ano passado, importando 135 toneladas por US$ 308 mil (0,1% do total).
- Índia: não registrou embarques no trimestre, mantendo o padrão do mesmo período da safra anterior.
- Outros mercados: demais destinos somaram 5,3 mil toneladas (2,6% do total) e US$ 14,8 milhões, registrando altas expressivas tanto em volume (+104,9%) quanto em faturamento (+28,2%).
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



