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Do refúgio no campo ao Top 10: casal faz um dos melhores azeites do mundo na 1ª safra

Produzido artesanalmente em solo vulcânico de Minas Gerais, o Azeite da Pedra venceu prêmios internacionais logo na estreia

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Do refúgio no campo ao Top 10: casal faz um dos melhores azeites do mundo na 1ª safra
Arquivo pessoal

O impressionante desempenho do Azeite da Pedra no 'TerraOlivo International Olive Oil Competition 2026' não foi apenas uma vitória para a olivicultura brasileira; foi o ápice de uma jornada que começou de forma despretensiosa há cinco anos, no auge da pandemia de Covid-19. Produzido em Caldas, na Serra da Mantiqueira, no Sul de Minas Gerais, o rótulo conquistou três prêmios internacionais logo em sua primeira safra comercial, desbancando marcas tradicionais do mercado global.

Por trás do sucesso que colocou o azeite mineiro no cobiçado Top 10 dos melhores do mundo, estão os paulistanos Fabio Dias, zootecnista, e Paula Pedrão, relações públicas. Hoje, o casal já se considera "mineiro de coração". Em entrevista à Itatiaia, Paula relembrou como o sonho de ter um refúgio no campo se transformou em um negócio premiado.

"No meio da pandemia, a gente queria um lugar que tivesse uma vista, e isso é muito mais fácil na Região da Mantiqueira. Aí fomos procurar um sítio", contou Paula.

Inicialmente, a ideia do casal era outra. "A gente conversou com o agrônomo que faz vinho ali na região porque tínhamos achado um lugar que era bem bonito, mas não sabíamos o que fazer ali. Pensamos em plantar uva para fazer vinho. E esse agrônomo falou: 'Não, isso não é possível porque vocês estão numa altitude maior que o necessário para o vinho, então vocês têm que fazer azeite, que é uma opção'", recordou.

Oliveiras do Sítio da Pedra, em Caldas, Serra da Mantiqueira • Arquivo pessoal
Oliveiras do Sítio da Pedra, em Caldas, Serra da Mantiqueira • Arquivo pessoal

Dedicação artesanal e medalhas internacionais

Sem nenhuma pretensão inicial de competir, o foco do casal sempre foi a entrega de um produto bem-feito. O aprendizado sobre o mercado de premiações veio aos poucos, enquanto acompanhavam o crescimento da olivicultura nacional. Após a colheita, decidiram enviar o produto para a avaliação de uma especialista em São Paulo, cujo veredito abriu as portas para o mundo: o azeite era digno de medalha.

Antes mesmo do destaque em Chipre (onde o TerraOlivo é realizado), o Azeite da Pedra já vinha acumulando conquistas pelo mundo.

"Participamos também na Turquia, onde recebemos medalha de ouro e o prêmio Best in Class (melhor da categoria dentro do padrão do nosso blend), e em um concurso na Itália, onde também fomos ouro. Tudo o que a gente participou, a gente ganhou", comemorou a produtora.

Para Paula, o reconhecimento internacional coroa um processo que foi inteiramente familiar e artesanal.

A surpresa desse reconhecimento não é pela qualidade do azeite, porque a gente realmente tem muito feedback de que ele é muito bom, mas por estar concorrendo com tanta gente que também faz coisas muito boas. Conseguimos nos posicionar nesse lugar com a primeira safra, com uma pequena produção, uma coisa bem familiar. A gente foi lá, colheu a azeitona com a nossa própria mão, com mais duas ou três pessoas que trabalham na propriedade

contou Paula

 

Paula, produtora e dona do Sítio da Pedra, colhendo azeitonas • Arquivo pessoal
Paula, produtora e dona do Sítio da Pedra, colhendo azeitonas • Arquivo pessoal

O segredo do sucesso: rigor técnico e o terroir vulcânico

A receita para acertar logo de primeira, segundo os produtores, misturou o rigor técnico com as condições geográficas privilegiadas de Caldas, região conhecida por seu solo de origem vulcânica. O casal seguiu à risca as orientações dos especialistas, desde o espaçamento do plantio até o tempo recorde entre a colheita e o processamento, que levou cerca de 10 dias. O envase e a rotulagem foram feitos manualmente, um a um.

Fábio, produtor e dono do Sítio da Pedra • Arquivo pessoal
Fábio, produtor e dono do Sítio da Pedra • Arquivo pessoal

Apesar de todo o empenho humano, Paula faz questão de dar o crédito principal à terra: "Tem uma questão que não é da nossa responsabilidade. A natureza se encarregou de um blend muito bom, muito adequado e equilibrado. A gente fez tudo direitinho e acho que fomos recompensados com um presente da natureza, de ter feito uma composição muito feliz das azeitonas", avaliou.

Azeitonas no Sítio da Pedra, em Caldas (MG) • Arquivo pessoal
Azeitonas no Sítio da Pedra, em Caldas (MG) • Arquivo pessoal

Estoque esgotado e planos para 2027

Para os consumidores que ficaram curiosos para provar o legítimo "Best of Brazil" de 2026, a notícia exige um pouco de paciência: o lote premiado já está totalmente esgotado.

Como a produção inicial foi de apenas 800 garrafas de 250 ml, o estoque "desapareceu" em tempo recorde. "O azeite não está à venda porque a produção era muito pequena e a gente vendeu tudo em 15 dias após a produção. E só para amigos, para gente conhecida. Guardamos uma meia dúzia para o nosso consumo este ano", explicou Paula.

O foco do Sítio da Pedra agora se volta para a próxima safra, prevista para o início de 2027, quando pretendem expandir o negócio. "Estamos contando com o próximo lote, que esperamos que esteja pronto entre fevereiro e março para podermos ofertar de novo. A expectativa é aumentar para pelo menos 1.200 ou 1.500 garrafas no ano que vem", projetou.

E a exclusividade continuará sendo a marca registrada da casa. "Vamos vender sim, mas não em canais tradicionais. A gente tem o canal do Instagram — ainda nem fizemos o site — e quem tiver interesse pode acompanhar por lá. Vamos adorar ter novos clientes", finalizou a produtora.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.