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Cercas elétricas viram alternativa para proteger lavouras dos javalis

Animal considerado uma das principais espécies exóticas invasoras do mundo provoca prejuízos no campo; tecnologia solar é usada para dificultar a entrada em áreas de produção

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Além dos danos diretos à produção, o javali pode cruzar com porcos domésticos, o que amplia o desafio de controle e manejo desses animais • Canva/ Reprodução

Destruição de lavouras, invasão de propriedades e danos às áreas de produção. O avanço dos javalis tem se tornado um desafio para produtores rurais, que buscam alternativas para impedir a entrada dos animais nas propriedades. Considerados uma das principais espécies exóticas invasoras do mundo, eles são resistentes, têm hábitos predominantemente noturnos e podem provocar prejuízos ao procurar alimento em áreas rurais.

Além dos danos diretos à produção, o javali pode cruzar com porcos domésticos, o que amplia o desafio de controle e manejo desses animais.

Uma das alternativas adotadas no campo é o uso de cercas elétricas projetadas para dificultar a entrada dos javalis. A tecnologia ganhou versões alimentadas por energia solar, permitindo proteger áreas afastadas da rede elétrica e manter o sistema em funcionamento durante a noite, justamente quando os animais costumam estar mais ativos.

A fabricante gaúcha Zebu Sistemas Eletrônicos, que atua no segmento desde 1985, desenvolveu o JAVA300, eletrificador solar voltado para situações de controle de javalis. Segundo a empresa, os modelos alimentados por energia solar estão entre os produtos que mais crescem no catálogo.

Javali procura pontos vulneráveis da cerca

O comportamento do animal é um dos principais fatores que precisam ser considerados na instalação da estrutura. Segundo o sócio-diretor da Zebu, Michel Antônio Hickmann, o javali costuma procurar pontos frágeis, principalmente na parte inferior da cerca. “O javali procura pontos mais vulneráveis da cerca e um dos principais problemas está justamente na parte de baixo. Ele utiliza o focinho para procurar uma passagem, muitas vezes tenta forçar ou cavar por baixo da cerca”, explica.

Por isso, a cerca destinada ao controle desses animais precisa ser planejada de acordo com a força e o comportamento do javali. O primeiro fio deve ficar próximo ao solo, enquanto os demais são distribuídos em diferentes alturas, conforme as características da propriedade. Também são necessários isoladores adequados, estrutura resistente, bom aterramento, conexões corretas e manutenção periódica.

Quando entra em contato com o fio eletrificado, o animal recebe um choque que provoca desconforto. A experiência busca fazer com que ele associe aquele ponto ao estímulo negativo e reduza as tentativas de invasão. “O segredo está em fazer o projeto correto, levando em consideração o comportamento do javali e as características de cada propriedade”, afirma Hickmann.

Eletrificadores solares podem representar uma alternativa para o produtor • Reprodução
Eletrificadores solares podem representar uma alternativa para o produtor • Reprodução

Energia solar ajuda na proteção durante a noite

O hábito predominantemente noturno dos javalis aumenta a importância de manter a cerca funcionando durante todo o período.

É justamente nesse ponto que os eletrificadores solares podem representar uma alternativa para o produtor. O equipamento pode ser instalado em locais remotos e utiliza a energia captada durante o dia para manter a bateria carregada. “Com a energia solar, conseguimos instalar o eletrificador em um local remoto, utilizando a própria luz do sol para manter a bateria carregada. E existe também um detalhe muito importante: o javali é um animal predominantemente noturno. Então não adianta o sistema funcionar bem durante o dia e perder eficiência justamente à noite”, explica Hickmann.

Tecnologia também é usada no manejo de rebanhos

As cercas elétricas não são utilizadas exclusivamente contra javalis. Os equipamentos também são empregados no manejo de rebanhos, proteção de lavouras, delimitação de áreas e controle da entrada de animais.

A Zebu produz cerca de 25 mil eletrificadores por mês, com modelos de diferentes potências e aplicações. A empresa possui aproximadamente 4,5 mil parceiros comerciais e mais de 30 representantes em todos os estados brasileiros.

Para o produtor, a instalação precisa ainda permitir a circulação de máquinas, pessoas e animais, além do funcionamento dos portões e das atividades de manejo. “A solução não é simplesmente colocar mais fios ou utilizar mais potência. O segredo está em fazer o projeto correto”, reforça o sócio-diretor.

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Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.

 

 

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