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Canola entra na fase final no Rio Grande do Sul, mas granizo e ventos elevam perdas

Canola entra na reta final do ciclo, com colheita favorecida pelo tempo seco e perdas pontuais por granizo e vendavais

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Plantação de canola com plantas de folhas verdes e flores amarelas distribuídas pela lavoura.
A reta final do ciclo da canola no Rio Grande do Sul é marcada por diferenças no desempenho produtivo entre as regiões e por perdas provocadas por condições meteorológicas adversas. • Divulgação / Emater /RS-Ascar

A cultura da canola está no final do ciclo nas principais regiões produtoras do Rio Grande do Sul. A evolução fenológica da cultura tem sido favorecida por períodos recentes de maior disponibilidade de radiação solar e temperaturas entre amenas e elevadas. Segundo o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar, foram cultivados no estado 353.397 hectares com canola, com produtividade média estimada em 1.619 kg/ha.

O desempenho produtivo da canola apresenta elevada variabilidade regional. Em determinadas áreas, a ocorrência de doenças e as condições meteorológicas adversas comprometeram a formação das estruturas reprodutivas, reduzindo o número de síliquas por planta e de grãos por síliqua e, como consequência, o potencial produtivo. 

Nas áreas não afetadas por esses fatores, o padrão de desenvolvimento das plantas e de formação das estruturas reprodutivas está satisfatório. Entretanto, a ocorrência de granizo e vendavais no período, no Centro-Oeste e Noroeste, em proximidade ao período de colheita, elevou o índice de perdas, particularmente em razão da maior suscetibilidade à debulha dos grãos.

Na região de Santa Rosa, 2% das lavouras de canola estão em floração, 49% em enchimento de grãos, 40% maduras e 9% colhidas. A produtividade está estimada em torno de 1.700 kg/ha. A dessecação foi intensificada para uniformizar a maturação, reduzir a variabilidade da umidade dos grãos e favorecer as operações de colheita. A ocorrência de ventos e granizo provocou danos em diversas lavouras, cuja extensão está em levantamento. 

Já na região de Frederico Westphalen, 30% das áreas cultivadas com canola estão em enchimento de grãos, 55% em maturação e 15% colhidas. A produtividade está atualmente estimada em 1.500 kg/ha.

Trigo, aveia-branca, carinata e cevada

As lavouras de trigo estão em floração (19%) e enchimento de grãos (57%). A maturação fisiológica abrange 21% da área cultivada, e a colheita foi realizada em 1% das lavouras. O desempenho produtivo continua bastante variável, em razão da ocorrência de intempéries e do nível tecnológico empregado. A área projetada com trigo para Safra 2026 é de 814.220 hectares e a produtividade média, de 2.701 kg/ha.

As lavouras de aveia-branca estão nas fases de desenvolvimento vegetativo (4%), florescimento (12%), enchimento de grãos e maturação (25%). Estão 7% colhidas. A estimativa de plantio é de 387.697 hectares, e a produtividade média está projetada em 2.322 kg/ha. De modo geral, a cultura apresenta bom desenvolvimento, embora haja diferenças entre as regiões quanto às condições fitossanitárias, ao potencial produtivo e à qualidade dos grãos. A incidência de doenças, como ferrugens, continua elevada em algumas áreas.

Já a cultura de carinata se encontra em transição das fases reprodutivas para a maturação. A evolução acelerou nas áreas submetidas à maior disponibilidade de radiação solar. A área estimada de plantio pela Emater/RS-Ascar é de 2.365 hectares. Na região de Frederico Westphalen, 45% dos cultivos de carinata estão em enchimento de grãos, 50% em maturação e 5% colhidos. A produtividade atual estimada é de aproximadamente 1.100 kg/ha.

As lavouras de cevada se encontram em enchimento de grãos, com avanço pontual para a maturação (6%). A ocorrência de períodos de tempo firme na semana favoreceu o desempenho reprodutivo e a conclusão dos manejos fitossanitários, e foram mantidas as intervenções apenas em áreas de implantação tardia. A área de cultivo é estimada em 20.320 hectares no Estado, e produtividade média de 3.020 kg/ha.

Culturas de verão

A semeadura do milho avançou de 68% para 73% da área prevista ao longo do período, mantendo ritmo diferenciado entre as regiões, em função das condições de umidade do solo e das temperaturas. A Emater/RS-Ascar estima o plantio de 896.401 hectares e produtividade de 7.711 kg/ha.

Para o milho para silagem, o plantio prossegue escalonado, chegando a 46% da área prevista para esta safra, que é de 369.389 hectares. As condições ambientais, como temperaturas amenas e umidade do solo, permitiram o avanço. A área a ser cultivada está estimada em 19.262 hectares. Para o Estado, a Emater/RS-Ascar estima uma produtividade de 38.392 kg/ha.

A implantação da Safra 2026/2027 de arroz avança de forma desigual entre as regiões, com maior ritmo onde as condições de umidade permitiram o trânsito de máquinas. O Instituto Riograndense do Arroz (Irga) estima o cultivo de 861.779 hectares com arroz, e a Emater/RS-Ascar estima uma produtividade inicial de 8.741 kg/ha.

Já a implantação da 1ª safra de feijão avançou em ritmos distintos, conforme as condições térmicas e de umidade de cada região. Em parte das áreas de menor altitude, que realizam a 2ª safra, o plantio está próximo ao terço final. Nas de maior altitude, a operação ainda não foi iniciada. A Emater/RS-Ascar projeta o plantio de 24.587 hectares em 1ª safra e produtividade inicial de 1.759 kg/ha.

Olerícolas e frutícolas

Na região de Soledade, as precipitações intensas causaram danos pontuais e pouco expressivos em cultivos a céu aberto prontos para a colheita, causando grandes impactos nas lavouras. A oferta de folhosas no mercado está satisfatória, com destaque para alface, couve-manteiga, rúcula e tempero verde.

Na região de Lajeado, no município de Vale Real, as culturas de brássicas brócolis, couve-flor e repolho encontram-se em plena fase de produção. Contudo, o excesso de precipitação, elevada umidade do solo e restrição de radiação solar têm prejudicado o desenvolvimento e a qualidade das inflorescências. 

Na cultura de brócolis, o cenário climático ocasionou perdas qualitativas, o que reduziu a oferta e tornou a comercialização mais atrativa. Na cultura de couve-flor, o encharcamento aumentou a incidência de doenças bacterianas, principalmente Erwinia sp. e Xanthomonas sp., que comprometem o padrão comercial das estruturas. Já nos cultivos de repolho, o excesso hídrico favoreceu a incidência de podridão-negra (Xanthomonas campestris pv. campestris). Apesar das adversidades climáticas, a comercialização está atrativa.

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*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.

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