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Café ganha espaço em Mato Grosso e movimenta R$ 16,2 milhões em 4 meses

Propriedades acompanhadas pela assistência técnica comercializaram 19,4 mil sacas entre abril e julho, com margem econômica de 73% após os custos operacionais

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Pés de café com frutos maduros em uma lavoura.
Cafezais ganham espaço em pequenas propriedades de Mato Grosso, com assistência técnica voltada ao manejo, aos custos e à qualidade da produção. • Divulgação / Sistema Famato

A cultura de café está crescendo em Mato Grosso, principalmente nas pequenas propriedades, segundo o Sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Sistema Famato). Para apoiar os produtores, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT), por meio da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Cafeicultura, acompanha 261 propriedades em seis municípios da região Noroeste: Colniza, Juína, Aripuanã, Cotriguaçu, Nova Bandeirantes e Nova Monte Verde.

O trabalho é realizado pelos técnicos de campo, que orientam os produtores tanto no manejo da lavoura quanto no acompanhamento dos custos e dos resultados da atividade. Entre abril e julho de 2026, 219 propriedades acompanhadas pela ATeG comercializaram 19,4 mil sacas e faturaram R$ 16,2 milhões. Após os custos operacionais, a margem econômica registrada no período foi de 73%.

Para a assistência técnica é preciso aliar produtividade e qualidade: produzir mais não significa necessariamente maior renda quando há perda na qualidade do café. O acompanhamento busca auxiliar o produtor a controlar os custos, manejar a lavoura de forma adequada e preservar o padrão do produto para alcançar melhores oportunidades de comercialização.

Capacitação de qualidade

O Senar MT também vem promovendo ações de capacitação para fortalecer a cadeia produtiva. Neste ano, realizou pela primeira vez o Workshop do Café em Colniza, no dia 26 de setembro, e promoveu a segunda edição do evento em Juína, no mês de julho, levando informações técnicas relacionadas à produção e à qualidade do café.

Segundo o gerente de Assistência Técnica do Senar MT, Bruno de Faria, o Workshop do Café é uma oportunidade para apresentar o trabalho desenvolvido pela assistência técnica no município e reforçar a importância da capacitação dos produtores para melhorar a qualidade da produção.

“É uma oportunidade de mostrar o trabalho da nossa assistência técnica nos municípios onde atuamos. A capacitação é fundamental para que o produtor possa aprimorar sua produção e entregar ao consumidor um café com a qualidade que o mercado busca”, afirmou.

Planejamento visando o futuro

O planejamento econômico é outro ponto importante para a atividade. Segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), o custo médio anual de produção do café em Mato Grosso foi estimado em R$ 11,5 mil por hectare no segundo trimestre de 2026.

A análise considera um modelo de produção de café canéfora em pequena propriedade e aponta que o retorno do investimento varia de acordo com o estágio da lavoura. Para uma área nova, o retorno ocorre mais adiante, enquanto em uma lavoura já consolidada o investimento tende a ser recuperado em menos tempo.

“A orientação é buscar equilíbrio entre produtividade e qualidade. A produção de mais sacas, por si só, não significa maior renda se houver perda no padrão do café. O produtor precisa conhecer seus custos, manejar a lavoura de forma adequada e trabalhar para entregar um produto de qualidade, que tenha maior valor de mercado”, explicou a supervisora de ATeG, Cristiani Bernini.

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que a produção de café em Mato Grosso na safra de 2026 está estimada em 268,9 mil sacas (-3,5% em relação a 2025), posicionando o estado na 9ª colocação do ranking nacional.

Apesar do reajuste cadastral da área em produção para 10.300 hectares, as lavouras registraram um ganho de 10,8% na produtividade, alcançando 26,1 sacas por hectare, impulsionadas pela expansão dos cafezais clonais de Coffea canephora (conilon/robusta) e pelo bom balanço hídrico durante a fase reprodutiva.

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*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.

 

 

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