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Azeite falso? MAPA retira lote do mercado por mistura irregular

Análise laboratorial detectou mistura de outros óleos vegetais na marca San Paolo

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Azeite falso: MAPA retira lote de marca do mercado por mistura irregular
MAPA/ Divulgação

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) emitiu um alerta de risco aos consumidores sobre a comercialização de um lote de azeite de oliva extravirgem da marca San Paolo. O produto do lote 260289 foi classificado como impróprio para o consumo humano após fiscalizações da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA).

As investigações, conduzidas pela Superintendência Federal de Agricultura em São Paulo (SFA-SP), recolheram amostras que foram analisadas pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA) em Goiás. Os testes confirmaram que o produto continha uma mistura de outros óleos vegetais, o que caracteriza fraude contra o consumidor. Diante do laudo, o Mapa determinou o recolhimento imediato do lote.

Azeite da marca San Paolo • Divulgação
Azeite da marca San Paolo • Divulgação

Além da adulteração do alimento, a fiscalização encontrou graves irregularidades cadastrais na empresa responsável pela importação e venda do azeite. O endereço e o CNPJ estampados no rótulo e nas notas fiscais não foram localizados pelas autoridades. A empresa chegou a ser notificada, mas não respondeu ao chamado e será autuada administrativamente.

O Mapa adverte que manter o lote à venda configura infração grave e os comércios que descumprirem a ordem poderão ser responsabilizados. A orientação para quem adquiriu o azeite é interromper o uso imediatamente e exigir a substituição do produto, direito garantido pelo Código de Defesa do Consumidor. Denúncias de venda irregular podem ser feitas pela plataforma Fala.BR.

 

Entenda as diferenças: o que você está comprando?

A principal causa das apreensões é a descaracterização do produto. Para não ser enganado, o consumidor deve entender os limites técnicos de cada categoria:

  • Azeite extravirgem: é o azeite extraído apenas de azeitonas por processos mecânicos, com temperatura controlada (mantendo a natureza original do produto). Ele é que tem a menor acidez. Para ser um extravirgem tem que ter a acidez menor que 0,8%; índice de peróxidos menor ou igual a 20 miliequivalente (meq) O2/kg;
  • Azeite virgem: também é apenas de azeitonas por processos mecânicos, com temperatura controlada. No entanto a acidez é pouco maior, e deve ser menor que 2,0%; índice de peróxidos ≤ 20 meq O2/kg;
  • Azeite de oliva tipo único: dos grupos “azeite de oliva” e “azeite de oliva refinado” eles são os mais indicados para cozinhar alimentos, especialmente frituras, pois mantêm as propriedades mesmo quando são expostos a altas temperaturas. A acidez deve ser menor que 1,0%; índice de peróxidos ≤ 15 meq O2/kg.

Atenção: Se o produto apresentar acidez superior a esses índices ou contiver misturas de óleos de sementes, ele não pode ser legalmente chamado de azeite.

Manual de compra: 5 dicas para não errar

Para garantir que o produto em sua despensa é adequado, especialistas recomendam atenção a cinco pontos cruciais no momento da escolha:

  • Embalagem: prefira garrafas de vidro escuro. A luz e o calor são os maiores inimigos da oxidação do azeite.
  • Data de validade: diferente do vinho, o azeite não melhora com o tempo. Quanto mais novo, melhor. Verifique a data de fabricação/safra.
  • Acidez: se for para consumo a frio (saladas), priorize o extravirgem com a menor acidez possível.
  • Origem: dê preferência a azeites produzidos e envasados no mesmo local. Isso reduz as chances de adulteração durante o transporte a granel.
  • Ponto de venda: evite comprar garrafas que fiquem expostas diretamente ao sol ou próximas a fontes de calor excessivo nos mercados.
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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde