Azeite de oliva: Conselho Internacional volta ao Brasil em missão contra fraudes e por capacitação
Programação no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro reúne produtores, varejistas e gastronomia para aulas práticas de análise sensorial, debates sobre fiscalização de rotulagem e estratégias para expandir o consumo

Pelo terceiro ano consecutivo, o Brasil recebe uma comitiva do Conselho Oleícola Internacional (COI) para uma série de atividades voltadas ao fortalecimento e à regulamentação do mercado de azeite de oliva no país. A programação, que ocorre entre 12 e 20 de outubro no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, inclui a formação de analistas sensoriais, debates sobre fiscalização de rotulagem e encontros com produtores, varejistas e profissionais da gastronomia.
A iniciativa é realizada em parceria com o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) e conta com o apoio do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). As ações dão continuidade ao plano estratégico iniciado em 2024, estabelecido após o COI definir o Brasil, em 2023, como um dos mercados prioritários globais para a promoção do consumo de azeite.
Segundo o presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, o plano de ações conjuntas estende-se até 2027 e busca acompanhar a crescente demanda nacional pelo produto. “Quando o COI chegou aqui, buscou uma relação com o Ibraoliva e com os produtores brasileiros. Estamos no terceiro ano de ações conjuntas”, destacou a liderança.
Fiscalização e combate à adulteração
Um dos pontos centrais da passagem da entidade internacional pelo país é a discussão sobre o rigor técnico na classificação e fiscalização dos azeites comercializados, tanto nacionais quanto importados. Análises recentes do Ministério da Agricultura apontaram irregularidades no mercado local, como a venda de azeites do tipo "virgem" rotulados indevidamente como "extravirgem".
Para enfrentar o problema, a agenda foca na formação de técnicos locais para compor painéis oficiais de análise sensorial, indispensáveis para atestar a qualidade e a categoria dos óleos. “Precisamos desses profissionais que estão sendo formados pelo COI para que possam definir se o azeite é extravirgem ou virgem e avaliar sua qualidade”, explica Obino Filho. “Queremos regulamentar bem esse mercado, para que ele possa crescer e para que o consumo seja promovido com responsabilidade.”

Potencial do mercado brasileiro
Atualmente, o Brasil ocupa o posto de segundo maior importador mundial de azeite de oliva, representando cerca de 10% das compras globais do produto. Apesar do elevado volume importado, o consumo per capita no país ainda é considerado baixo: varia entre 400 ml e 500 ml por habitante ao ano, enquanto em países europeus a marca chega a 10 litros anuais por pessoa.
Para o setor, esse contraste indica uma expressiva margem de expansão para a produção nacional e internacional nos próximos anos.
Cronograma de atividades
A comitiva internacional é integrada pelo diretor executivo adjunto do COI, Abderraouf Laajimi, por María Juarez, da Unidade de Economia e Promoção do organismo, e pelas especialistas em análise sensorial Susana Mattar (Argentina) e Ana Claudia Ellis (Uruguai).
- 12 de outubro (Porto Alegre/RS): Coquetel de abertura com produtores locais.
- 13 de outubro (Bagé/RS): Encontro técnico com representantes da cadeia produtiva do azeite.
- 16 de outubro (Porto Alegre/RS): Cerimônia de encerramento dos cursos de capacitação técnica e entrega de certificados a novos analistas sensoriais.
- 19 de outubro (Rio de Janeiro/RJ): Masterclass prática de análise sensorial voltada a profissionais de food service e gastronomia.
- 20 de outubro (Rio de Janeiro/RJ): Masterclass direcionada a representantes e compradores do setor varejista.
As masterclasses no Rio de Janeiro contarão com exercícios práticos guiados pelas especialistas internacionais para ensinar profissionais a identificar atributos de aroma e sabor que diferenciam as reais categorias de azeite de oliva.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



