Apesar de recuo para a China, carne bovina brasileira fatura US$ 14,17 bi no ano, alta de 14,1%
Apesar do recuo nos embarques para a China no terceiro trimestre, o forte desempenho do primeiro semestre e expansão em novos destinos garantem estabilidade no volume total e crescimento no faturamento

As exportações brasileiras de carne bovina alcançaram US$ 14,17 bilhões de janeiro a setembro de 2026, montante 14,1% superior aos US$ 12,42 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. Em volume, o país embarcou 2,43 milhões de toneladas nos primeiros nove meses do ano, mantendo-se praticamente alinhado com o desempenho de 2,44 milhões de toneladas observadas em 2025 (-0,5%).
Os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) foram consolidados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).
A estabilidade nas vendas globais deve-se ao ritmo forte dos embarques ao longo do primeiro semestre. Entre janeiro e junho, o país manteve volumes mensais expressivos, variando de 264 mil toneladas em janeiro a um pico de 317 mil toneladas em junho, o que permitiu amortecer o impacto da salvaguarda chinesa acionada no terceiro trimestre.
Liderança chinesa e diversificação de mercados
Apesar do recuo no fluxo recente, a China segue como o principal destino da carne bovina do Brasil. No acumulado de janeiro a setembro, os chineses importaram 912 mil toneladas (queda de 20,9%), movimentando US$ 5,59 bilhões (-7,8%). O país respondeu por 37,5% do volume total e 39,4% da receita obtida pelas indústrias brasileiras no período.
Em contrapartida, outros importantes mercados consumidores registraram forte expansão no ano:
- Estados Unidos: 317,4 mil toneladas (+45%) e US$ 2,08 bilhões (+60,8%).
- Chile: 126,7 mil toneladas (+38,2%) e US$ 768 milhões (+54,4%).
- Rússia: 109,4 mil toneladas (+28,6%) e US$ 531,8 milhões (+45,7%).
- União Europeia: 107,1 mil toneladas (+27%) e US$ 942,8 milhões (+37,9%). O número inclui embarques prévios à suspensão de setembro motivada por novas regras sanitárias do bloco.
- Também apresentaram altas expressivas a Indonésia (64,7 mil t; +294,8%), Arábia Saudita (57,7 mil t; +26,3%), Argentina (20,8 mil t; +101,5%), Turquia (20,6 mil t; +31,9%) e Jordânia (17,8 mil t; +57,4%).
Planejamento para o próximo ciclo
Com o encerramento do terceiro trimestre, o setor frigorífico volta o foco para o planejamento dos contratos do próximo ano. A ABIEC segue em tratativas com o governo federal para buscar soluções no gerenciamento e distribuição da cota de exportação chinesa ao longo de 2027.
De acordo com o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, as negociações visam dar maior previsibilidade e estabilidade às operações da indústria. “Este ano nós já sabemos das cotas e as empresas começam a se programar para vender para a China em meados de outubro e novembro, a depender dos contratos com os navios, para que o produto chegue no próximo ciclo. No começo do ano, discutimos com o governo uma forma de diluir os embarques ao longo do período. Essa conversa continua, porque, do ponto de vista de negócio, o melhor seria distribuir essas vendas ao longo do ano”, destacou Perosa.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



