O leite UHT Integral (de caixinha) que chegou a custar R$ 8,98 e, em alguns casos, até R$ 9,00 no último mês, já está sendo encontrado a R$ 5,98 ou R$ 6,79 em alguns supermercados da capital. Mas o presidente da Comissão Técnica de Pecuária de Leite da Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (FAEMG), Jônadan Ma, acredita que ainda não há motivos para se acreditar numa estabilização dos preços.
“Essas baixas muito significativas de preços são pontuais, talvez estejam relacionadas a produtos com datas de vencimento próximas, o que leva os supermercados a fazerem promoções. A verdade é que a maior parte dos preços do varejo ainda está muito alta, próximo de R$ 8 ou R$ 9”. O presidente da Comissão reconhece estar havendo “alguma redução nos preços, mas não tão grandes como essa”.
Jônadan disse que o consumidor está assustado com a inflação e o aumento dos custos de vida de um modo geral, o que acaba freando um pouco seu poder de compra. Por outro lado, pontua que o varejo, o atacado e a indústria tiveram boas margens de lucro nos últimos dois meses. “No entanto, muito pouco foi repassado ao produtor”. Segundo ele, o aumento ficou abaixo do esperado e insuficiente para que ele pudesse recompor o prejuízo dos últimos doze meses.
“Desde julho do ano passado, quem produz leite vem sofrendo grandes perdas com a elevação dos custos, estabelecendo um desequilíbrio grande na cadeia láctea. Precisamos trabalhar para que haja mais equilíbrio, mais justiça e bom senso.
Quando os intermediários da cadeia, que são a indústria e o varejo cobram um valor muito alto do consumidor, ocorre redução do consumo. Então, a indústria abaixa o preço do leite Spot como justificativa para pagar menos ao produtor. Isso é algo inaceitável. O leite Spot não pode ser referência do preço pago ao produtor”.
Para quem não sabe, Spot é o leite coletado dos produtores que não tem contrato fixo para ser repassado ao varejo ou atacado, é o produto que sobra e acaba sendo comercializado entre as indústrias, numa espécie de ‘mercado livre’.
Esse produto, segundo o presidente da Comissão, chegou a custar R$ 5 reais o litro, de uma indústria para outra nos últimos dois meses. Mas agora abaixou para R$ 3,50, R$ 4,00. Percebemos que algumas indústrias estão repassando essa redução do Spot ao produtor. O que é totalmente injusto. Algo que mereceu, inclusive, um comunicado por parte da nossa Comissão Técnica de Pecuária de Leite às indústrias”.
Silemg disse que não tem dados para comentar
O diretor-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Derivados do Estado de Minas Gerais (Silemg), Celso Costa Moreira, prefere falar sobre o assunto quando tiver em mãos os indicadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA-Esalq/USP) e do Conseleite-MG dos meses de julho e agosto. “Por enquanto, não temos dados para comentar. Quando tiver, podemos voltar a nos falar”, resumiu.
Produção de leite caiu em todo o mundo
Jônadan lembra ainda que os custos gerais da produção de leite aumentaram em todo mundo, acarretando numa redução universal da produção, inclusive em países da Oceania, como a Nova Zelândia. No Brasil também houve uma diminuição produtiva da ordem 10.3% no primeiro trimestre desse ano. “Nossos produtores tiveram que diminuir seus plantéis, reduzir a tecnologia aplicada à produção de leite, oferecendo menos ração e mais pasto”.
“Além disso, houve baixa de animais. Muita gente desistiu da atividade leiteira, liquidou seus rebanhos ou abateu as vacas menos produtivas. É claro que tudo isso impacta no volume produzido. E o leite não se restabelece de uma hora pra outra. Leva tempo porque é preciso respeitar o ciclo de desenvolvimento das novilhas e de reprodução dos animais adultos”, disse o presidente da Comissão.
O mais importante nesse momento, segundo Jônadan, é que o produtor tenha incentivo para voltar a investir na atividade, voltar a acreditar e recuperar a produção perdida, para que o consumidor volte a ter o excelente leite que produzimos a um preço acessível e que toda a cadeia possa ser beneficiada”.