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Projeto de terminal de cruzeiros de Itajaí-SC é apresentado em feira internacional

Proposta foi levada a evento em Miami para atrair interesse de operadores e investidores e ainda depende de execução pelo poder público

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Projeto de terminal de cruzeiros de Itajaí • Divulgação

O projeto de um novo terminal de cruzeiros em Itajaí-SC foi apresentado neste mês durante a SeaTrade Cruise Global, em Miami, considerada uma das principais feiras do setor. A iniciativa é articulada pelo Instituto Mais Itajaí, entidade formada por empresas locais, e busca atrair operadores e investidores para viabilizar a estrutura.

O masterplan foi financiado por empresários da região, com investimento próximo de R$ 1 milhão, e deverá ser doado ao município e ao Governo Federal, que seriam responsáveis pela execução da obra. A estimativa é que o terminal custe mais de R$ 300 milhões, mas ainda não há definição sobre prazos ou garantias de implementação.

Representantes do instituto e da Secretaria de Turismo de Itajaí participaram do evento e se reuniram com empresas e entidades do setor de cruzeiros para apresentar o projeto e discutir o potencial do litoral catarinense. Entre os interlocutores estavam operadoras internacionais, associações do setor e fornecedores de infraestrutura portuária.

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O plano foi elaborado por uma consultoria internacional e prevê um terminal com mais de 20 mil metros quadrados, distribuídos em três pavimentos, com áreas operacionais e espaços voltados ao atendimento de passageiros, além de diretrizes para acessos e urbanização do entorno.

A proposta surge em meio ao crescimento do turismo marítimo na região. Na última temporada, Itajaí recebeu mais de 169 mil passageiros em 37 escalas de cruzeiros. Apesar disso, a concretização do projeto ainda depende de decisões do poder público e de viabilidade financeira para sair do papel.

O que pode impactar a viabilização do terminal de cruzeiros

A construção de um terminal de cruzeiros em Itajaí depende de uma série de fatores que vão além da elaboração do projeto. Especialistas apontam que a principal variável é a decisão política: como a obra deve ser executada pelo poder público, mudanças de governo ou de prioridades administrativas podem atrasar ou até interromper a iniciativa.

Outro ponto central é a viabilidade financeira. Com custo estimado em mais de R$ 300 milhões, o empreendimento exige definição clara sobre fontes de financiamento — seja por recursos públicos, parcerias com a iniciativa privada ou modelos de concessão. Sem um arranjo econômico consistente, a execução tende a enfrentar obstáculos.

O licenciamento ambiental também pode influenciar o cronograma. Projetos portuários costumam passar por análises rigorosas, especialmente em áreas costeiras, o que pode resultar em exigências adicionais ou questionamentos judiciais.

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Além disso, o interesse das grandes operadoras de cruzeiros é determinante. Empresas como MSC Cruzeiros, Royal Caribbean e Costa Cruzeiros avaliam fatores como custos operacionais, infraestrutura local e atratividade turística antes de ampliar rotas ou estabelecer novos pontos de embarque.

O cenário econômico também pesa. Oscilações cambiais, inflação e eventuais crises globais afetam diretamente o setor de turismo, especialmente o de cruzeiros, que depende de demanda internacional.

Por fim, a infraestrutura urbana e logística do entorno é considerada estratégica. Acessos viários, rede hoteleira, transporte e integração com aeroportos são aspectos que influenciam a decisão de investidores e operadores. Sem esses elementos, mesmo um terminal moderno pode ter sua operação comprometida.

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Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias Turismo e Emprego e Concursos.