Vacas com listras brancas atraem menos moscas, confirma estudo
Experimento comparou bovinos com e sem pintura e encontrou redução significativa na presença de moscas

Nas pastagens do centro do Japão, os pesquisadores conduziram um teste incomum: pintaram vacas pretas com listras brancas e observaram quantas moscas pousavam nelas. O resultado foi surpreendente — as vacas listradas atraíram metade das moscas picadas que normalmente atingiam os mesmos animais sem pintura.
Publicado na revista PLOS ONE em outubro de 2019 por Tomoki Kojima e colaboradores do Centro de Pesquisa Agrícola de Aichi e da Universidade de Kyoto, o estudo não resolve definitivamente a questão sobre por que as zebras têm listras. Mas adicione evidências experimentais sólidas a uma teoria em crescimento: as listras funcionam como um repelente visual de insetos, não para camuflagem ou regulação térmica.
O experimento com vacas pretas japonesas
Seis vacas prenhas da raça Japanese Black, naturalmente todas pretas, participadas do estudo. Cada animal recebeu três tratamentos em rotação: listras pretas e brancas, apenas listras pretas e sem pintura. Esse desenho permitiu que cada vaca fosse servida como seu próprio controle, eliminando variações individuais entre os animais. As listras foram feitas com laca à base de água, desenhadas à mão livre com cerca de quatro a cinco centímetros de largura. Cada aplicação levava aproximadamente cinco minutos por férias. A pintura desbotava naturalmente em poucos dias, o que possibilitava alternar os tratamentos ao longo das temporadas de moscas de 2017 e 2018.
Método de contagem por fotografia e resultados
Os pesquisadores não contaram as moscas diretamente nos animais. Em vez disso, tiraram fotografias das vacas e contaram os insetos nas imagens. Nas vacas com listras pretas e brancas, o número total de moscas picadas nas pernas e no corpo chegou a aproximadamente metade da presente nos animais não pintados e naqueles com apenas listras pretas. Armadilhas colocadas nas áreas externas capturaram principalmente moscas-dos-estábulos, com algumas moscas-do-chifre e moscas-dos-cavalos ocasionais. As vacas listradas também gastaram cerca de vinte por cento menos tempo se contorcendo, batendo os pés e agitando a cauda — comportamentos que o gado usa para afastar insetos.
O detalhe que aponta para o mecanismo visual
Um achado específico carrega mais peso que a redução pela metade. Vacas pintadas apenas com listras pretas, praticamente invisíveis sobre a pelagem já escura, não atraíram menos moscas que os controles sem pintura. Se o cheiro da tinta estivesse fazendo o trabalho, essas férias também seriam beneficiadas. Eles não se beneficiam, o que indica que o padrão visual — não a química da pintura — é o responsável pelo efeito.
Como o estudo se conecta à teoria das listras de zebras
A ideia de que listras afastam moscas picadas não começaram com essas vacas. Foi construído anteriormente por Tim Caro e colaboradores, cujo artigo de 2014 na Nature Communications descobriu que a presença de listras em diferentes espécies de equídeos acompanha a distribuição geográfica de moscas picadas. Trabalho subsequente de 2019 colocou mantas listradas e lisas em cavalos vivos e observou o comportamento dos insetos.
Enquanto isso, as rivais perderam força. Um artigo de 2018 na Scientific Reports por Gabor Horvath e colegas relatou que listras não resfriam zebras, defendendo o argumento da termorregulação. O que as vacas positivas são um teste independente em um animal que nunca evoluiu o padrão. Se pintar listras em uma vaca preta lisa reduz pela metade as moscas que pousam nela, o efeito está vindo das listras em si, não de algo que a zebra carrega em sua biologia.
Essa é a forma como a corroboração científica deve parecer. O mecanismo que a teoria depende está funcionando no campo, em um novo sujeito, em vez de apenas explicar por que as próprias zebras carregam o padrão.
Como as listras atrapalham as moscas
O mecanismo é visual, não químico, e a interpretação atual é que listras atrapalham a aproximação final da mosca, em vez de afastá-la à distância. O estudo de Caro com cavalos descreveu moscas tabanídeos se aproximando normalmente de longo prazo, mas falhando em desacelerar precisamente no último momento antes de embarcar. Elas batiam na superfície ou desviavam bruscamente.
As explicações atuais giram em torno de como listras estreitas perturbam as pistas de brilho e luz polarizada que os insetos usam para julgar uma superfície. Essa explicação não é exigida, e os autores do artigo das vagas afirmam isso claramente. Chamar as listas de repelente é um pouco generosa — elas não mantêm as moscas totalmente afastadas, mas arruínam o pouso.
Aplicação prática na pecuária e limitações
As moscas picadas representam um custo real para a pecuária, através da perda de tempo de pastejo, estresse e redução do ganho de peso. A defesa usual é o pesticida, contra o qual as moscas continuam desenvolvendo resistência. Uma pintura que reduz pela metade os pousos de moscas sem produtos químicos é uma ideia atraente, e os autores se apresentam como tal. O obstáculo é a durabilidade.
A laca deles desapareceu em poucos dias, enquanto uma temporada de moscas funcionais durou de três a quatro meses. Qualquer versão prática precisaria de listras que durassem sem repintar os rebanhos toda manhã. O estudo também foi conduzido com seis animais. Este é um estudo pequeno, não um método estabelecido, e precisaria ser repetido em escala maior e em diferentes raças antes de significar muito em uma fazenda de trabalho.
Reconhecimento científico e próximos passos
O trabalho teve uma segunda vida independente. Em setembro de 2025, Kojima e seus coautores receberam o Prêmio Ig Nobel, o reconhecimento para pesquisas que fazem as pessoas rirem e depois pensarem, na categoria biologia. O que observar é mais mundano que a descoberta: se alguém conseguirá fazer as listras durarem uma temporada completa de moscas, e se a redução pela metade se sustentar quando o experimento é repetido em mais de seis férias e em mais de uma raça.
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