Tirar o carregador da tomada pode ajudar a economizar energia?
Desconectar carregadores que não estão em uso reduz o chamado consumo em espera e também pode diminuir riscos elétricos, especialmente em equipamentos com baterias de íon-lítio; especialistas explicam quando o hábito realmente faz diferença

Deixar o carregador conectado à tomada mesmo depois de retirar o celular ou outro aparelho parece um detalhe sem importância. No entanto, esse hábito pode manter um pequeno consumo de eletricidade e, em algumas situações, também representar um risco que pode ser evitado.
Segundo o Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE), alguns equipamentos continuam consumindo energia mesmo quando parecem estar desligados. Esse fenômeno é conhecido como consumo em espera. No caso dos carregadores, a quantidade de energia utilizada depende de fatores como a idade, a potência e o projeto do adaptador.
Por isso, especialistas recomendam retirar da tomada os carregadores que não estão sendo utilizados. Outra alternativa é concentrar vários equipamentos em uma régua de tomadas com interruptor, que permite interromper o fornecimento de energia de maneira mais prática.
A Agência Internacional de Energia (AIE) também chama atenção para o consumo em espera. Segundo a organização, esse tipo de demanda está relacionado a equipamentos que mantêm determinadas funções ativas, como sensores, controles remotos, telas, conexões de rede e fontes de alimentação.
Em uma análise citada pela reportagem, a AIE estimou que o consumo em espera chegou a representar cerca de 10% do uso residencial de eletricidade em países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A proporção, porém, varia conforme os aparelhos presentes em cada residência e os hábitos dos moradores.
Economia individual pode ser pequena, mas consumo acumulado aumenta
O eletricista Carl Murawski, ouvido pelo veículo especializado The Spruce, recomendou retirar os carregadores da tomada sempre que possível. Além da possibilidade de reduzir o consumo de energia, ele destacou a importância do cuidado como forma de proteção contra sobretensões.
O especialista em energia Ethan Heine, também consultado pelo The Spruce, explicou que o consumo residual de um carregador sozinho costuma ser baixo. O problema pode aparecer quando vários adaptadores permanecem conectados continuamente, fazendo com que pequenas quantidades de energia se acumulem ao longo do tempo.
O DOE possui métodos específicos para medir a potência utilizada pelos carregadores quando permanecem conectados sem uma bateria sendo carregada. Essas medições mostram que os adaptadores não apresentam necessariamente o mesmo comportamento.
Baterias maiores exigem atenção especial
O cuidado ganha ainda mais importância quando o carregador está ligado a equipamentos com baterias de maior capacidade, especialmente as de íon-lítio.
A Administração de Incêndios dos Estados Unidos (USFA), ligada à Agência Federal para o Gerenciamento de Emergências (FEMA), recomenda utilizar o carregador fornecido pelo fabricante ou adquirido de um fornecedor confiável. A orientação também é evitar sobrecarregar tomadas e não usar extensões ou adaptadores múltiplos durante o carregamento.
A recomendação é especialmente relevante para baterias de bicicletas e patinetes elétricos, carregadores de ferramentas elétricas, carregadores rápidos de celulares e computadores e carregadores com várias portas que ficam disponíveis mesmo sem um aparelho conectado.
A USFA também orienta que baterias de íon-lítio sejam carregadas e armazenadas em locais frescos e secos, longe de materiais inflamáveis. Se o equipamento ficar perceptivelmente quente durante o carregamento, a orientação é desconectá-lo.
Gretas, inchaços, vazamentos, odores diferentes ou ruídos incomuns também são sinais para interromper imediatamente o uso do equipamento.
No caso de bicicletas e patinetes elétricos, a orientação é ainda mais específica: o local escolhido para carregar a bateria não deve bloquear portas ou rotas de saída em uma eventual emergência.
Nem todo equipamento deve ser retirado da tomada
Apesar das recomendações, desligar todos os carregadores e aparelhos da casa não é uma regra absoluta. Alguns equipamentos precisam permanecer ligados para desempenhar suas funções.
É o caso de câmeras de segurança, campainhas com vídeo e sistemas de iluminação de baixa tensão que dependem de alimentação contínua. Equipamentos médicos domésticos também devem permanecer conectados quando essa for a orientação do fabricante ou do profissional responsável.
Dispositivos inteligentes também podem precisar ficar permanentemente ligados. Da mesma forma, alguns carregadores projetados para manter baterias pequenas, como determinados aparelhos usados em escovas de dentes elétricas, podem permanecer conectados quando o próprio equipamento prevê esse tipo de utilização.
Por isso, a recomendação é consultar o manual do fabricante antes de decidir retirar um equipamento da tomada.
Além disso, é importante utilizar produtos certificados e verificar regularmente as condições dos cabos, plugues e adaptadores.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



