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Antigas termas transmontanas abrem este ano após investimento de 4 milhões

Termas de Caldas de Moledo, patrimônio do século XVIII no Douro, recebem investimento de 4 milhões de euros. Reabertura até 2026; confira.

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ntigas termas transmontanas abrem este ano após investimento de 4 milhões • Wikipedia Commons

Encostadas ao Rio Douro, rodeadas por vinhedos em socalcos e marcadas pela Linha do Douro, as antigas Termas das Caldas de Moledo permaneceram abandonadas por anos. O conjunto histórico, que inclui balneários dentro do jardim de Dona Antónia Ferreirinha — figura icónica da produção de vinho duriense —, representa um patrimônio que foi herdado em estado de deterioração pela Turismo do Porto e Norte de Portugal.

A reabertura do primeiro balneário acontecerá até o final de 2026, com investimento total estimado em quatro milhões de euros e criação de mais de uma dezena de postos de trabalho diretos. Esse projeto de recuperação amplia o patrimônio termal da região para 17 equipamentos e exemplifica um modelo contemporâneo de revitalização de espaços históricos através de parcerias público privadas.

A história secular das Termas de Caldas de Moledo

As propriedades terapêuticas das águas das Termas de Caldas de Moledo ganharam reconhecimento no século XVIII. O desenvolvimento significativo da estância aconteceu sob a influência de Dona Antónia Ferreira, conhecida como "Ferreirinha", produtora de vinho consagrada no Douro.

Naquela época, a fama do estabelecimento ultrapassou fronteiras nacionais. O requinte e a excelência dos serviços oferecidos eram comparados aos melhores lugares termais de Paris. Essa herança histórica permanece preservada nos jardins e na arquitetura dos balneários.

Localização privilegiada em patrimônio mundial da Unesco

O complexo termal situa-se no vale do Douro, território reconhecido como patrimônio mundial da humanidade pela Unesco. A localização abrange os concelhos de Peso da Régua e Mesão Frio, na região de Vila Real.

A geografia do local reúne elementos paisagísticos únicos: o Rio Douro à frente, vinhedos em socalcos ao redor, a Linha do Douro encostada na parte posterior e uma estrada nacional entre Régua e Mesão Frio cortando o território. Essa configuração cria uma paisagem excepcional para o turismo termal.

Estrutura do patrimônio e modelo de recuperação

O patrimônio das Termas de Caldas de Moledo está dividido entre diferentes propriedades. A Turismo do Porto e Norte de Portugal detém os dois balneários localizados no jardim histórico de Dona Antónia Ferreirinha.

Do outro lado da estrada, a Câmara Municipal de Peso da Régua é proprietária de outros edifícios históricos: o casino da Dona Antónia e o antigo Hotel da Dona Antónia. Essa divisão patrimonial levou à formação de um consórcio entre as duas entidades para viabilizar a recuperação completa do conjunto.

Investimento e fases de implementação do projeto

O investimento total para recuperação das termas alcança aproximadamente quatro milhões de euros. A estratégia de implementação acontece em etapas distintas.

O primeiro balneário será inaugurado até o final de 2026, já totalmente recuperado e equipado. O programa regional 2030 financia cerca de dois milhões de euros destinados à recuperação do segundo balneário e dos jardins históricos.

Os demais edifícios terão destinação hoteleira através de concurso público. O modelo seguirá parâmetros similares ao programa Revive (Reabilitação, Património e Turismo – Valorização do Património) do Turismo de Portugal, com investimento complementar do promotor vencedor do concurso.

Compromisso com acesso público ao patrimônio termal

Segundo o presidente da Turismo do Porto e Norte de Portugal, Luís Pedro Martins, devolver o patrimônio ao território duriense representava uma questão de honra para o encerramento de seu mandato. Ele declarou que herdou o patrimônio termal em estado de abandono.

Um dos balneários das Termas de Caldas de Moledo ficará permanentemente destinado ao uso público, conforme compromisso assumido tanto pelo presidente da Câmara de Peso da Régua, José Manuel Gonçalves, quanto por Luís Pedro Martins. Essa decisão garante que parte do patrimônio histórico permaneça acessível à população local e aos visitantes.

Impacto econômico e ampliação da oferta termal regional

A reabertura das Termas de Caldas de Moledo criará mais de uma dezena de postos de trabalho diretos na região. O equipamento se tornará o 17º estabelecimento termal no território do Porto e Norte de Portugal.

Essa ampliação da oferta termal fortalece o posicionamento da região como destino de turismo de saúde e bem-estar. A recuperação de patrimônio abandonado transforma-se em motor de desenvolvimento econômico local, gerando emprego e diversificando as atrações turísticas do Vale do Douro.

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