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Sócrates, filósofo grego, sobre a amizade: ‘O importante não é quanto valem seus amigos, mas o quanto você vale para eles’

Há mais de 2.400 anos, ele já refletia sobre o verdadeiro valor das amizade e, hoje, a psicologia mostra como nossas inseguranças podem afetar os vínculos e o bem-estar emocional

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Sócrates foi um dos maiores filósofos do pensamento ocidental • Arquivo

Em um diálogo registrado por Xenofonte há mais de dois mil anos, Sócrates perguntou ao seu discípulo Antístenes se era possível atribuir um valor aos amigos, como se fossem mercadorias. Depois de ouvir comparações sobre a importância e a dedicação de cada companheiro, o filósofo apresentou a ideia central de sua reflexão: mais importante do que medir o valor que os outros têm para nós é pensar no que representamos para eles e em como podemos ser bons amigos.

Para Sócrates, uma amizade verdadeira não se revela apenas nas palavras, mas principalmente nas atitudes e na disposição de oferecer apoio quando alguém precisa.

A insegurança nas relações e o isolamento na vida moderna

A reflexão de Sócrates ganha novos significados quando observada à luz das pesquisas atuais em psicologia cognitiva e comportamental. Em 2018, pesquisadores estudaram um fenômeno conhecido como liking gap, expressão que pode ser traduzida como “lacuna da simpatia”.

Em experimentos sobre interações sociais, os cientistas observaram que as pessoas costumam avaliar de forma negativa a impressão que causaram nos outros. Em outras palavras, muitas vezes acreditamos que alguém gostou menos da nossa companhia do que realmente gostou.

Essa percepção distorcida do próprio valor pode afetar a saúde emocional e a maneira como nos relacionamos com as pessoas ao nosso redor:

  • Insegurança e autocrítica: passamos a acreditar que nossa presença não é tão importante ou desejada quanto gostaríamos;
  • Distanciamento sem perceber: com medo de incomodar ou de não sermos bem recebidos, deixamos de enviar uma mensagem, fazer uma ligação ou convidar alguém para conversar;
  • Enfraquecimento dos vínculos: quando evitamos tomar a iniciativa, as relações podem perder força gradualmente, abrindo espaço para a solidão.

Cultivar amizades também é cuidar da saúde emocional

Ter amigos e contar com uma rede de apoio são fatores importantes para o bem-estar, o enfrentamento do estresse e a saúde mental. Relações próximas também estão associadas a uma vida mais longa e podem ajudar a reduzir o risco de problemas como a depressão.

Inspirados pelas reflexões de Sócrates e Cícero, podemos entender que construir amizades profundas exige iniciativa, cuidado e disposição para demonstrar afeto, mesmo sem ter certeza de como seremos recebidos.

Isso significa não esperar sempre que o outro tome a iniciativa, mas também reconhecer o valor que temos na vida das pessoas que amamos. Mandar uma mensagem, perguntar como alguém está ou simplesmente reservar um tempo para estar presente são atitudes simples que ajudam a manter os laços vivos.

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Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atuou na Rádio UFMG Educativa e em empresas de marketing, com experiência em produção de conteúdo, SEO e redação Atualmente, escreve, em colaboração com a Itatiaia, nas editorias de entretenimento e variedades.

 

 

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