Segundo a psicologia, as pessoas que sempre dizem 'tanto faz' não o fazem por indecisão; na verdade, estão escondendo uma razão muito mais profunda
Mais do que falta de opinião, o hábito de não escolher pode estar relacionado à necessidade de agradar, evitar conflitos e preservar a harmonia nas relações

Você provavelmente conhece alguém que, sempre que uma decisão precisa ser tomada entre várias pessoas, quase sempre responde com "tanto faz". À primeira vista, essa atitude pode parecer um sinal de gentileza e generosidade, mas, por trás dessa resposta, pode haver um padrão de comportamento que revela como essa pessoa realmente se sente, além do que sua aparente indiferença sugere.
Esse comportamento é conhecido como "sociotropia", um termo cunhado em 1983 por Aaron Beck, considerado um dos principais defensores das terapias cognitivas.
De acordo com essa teoria, pessoas com traços sociotrópicos atribuem grande importância aos seus relacionamentos sociais, a ponto de relegar suas próprias necessidades, opiniões e desejos a segundo plano para manter a harmonia. Nesse contexto, responder constantemente com "tanto faz" não é um sinal de generosidade, mas sim uma forma de se proteger emocionalmente.
Um estudo publicado no PubMed em 2025 indica que esse tipo de comportamento pode estar associado à baixa autoestima e a uma autovalorização fortemente influenciada pela aprovação externa.
O motivo pelo qual algumas pessoas sempre dizem “tanto faz”
Uma das explicações mais comuns relaciona-se ao que é conhecido como "alta amabilidade", um dos cinco grandes traços de personalidade estudados na psicologia. Pessoas com esse tipo de comportamento caracterizam-se por serem compreensivas e priorizarem o bem-estar do grupo.
Em certas situações, elas podem preferir evitar discussões ou desentendimentos, mesmo quando têm opiniões diferentes. No dia a dia, essa atitude pode se manifestar em frases como "tanto faz", mesmo que exista, de fato, uma opção que a pessoa escolheria.
Responder dessa forma não significa necessariamente que alguém não tenha personalidade ou tenha dificuldade em tomar decisões. Pesquisadores da Universidade de Waterloo estudaram o papel da assertividade e da falta de assertividade nos relacionamentos pessoais e observaram que existem vários motivos pelos quais uma pessoa pode ceder à escolha de outra.
Em alguns casos, uma pessoa pode estar tentando evitar tensão ou achar que a outra parte terá mais prazer em tomar a decisão. Portanto, a mesma resposta pode ter razões subjacentes muito diferentes. No entanto, o problema surge quando ceder se torna uma resposta automática a praticamente qualquer situação, pois isso pode levar à frustração, exaustão emocional ou até mesmo ressentimento com o passar do tempo.
O pesquisador Daniel Ames, da Universidade de Columbia, sugere que o importante é encontrar um equilíbrio entre defender os próprios interesses e manter relacionamentos saudáveis, sem cair na agressividade ou na complacência excessiva.
Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atuou na Rádio UFMG Educativa e em empresas de marketing, com experiência em produção de conteúdo, SEO e redação Atualmente, escreve, em colaboração com a Itatiaia, nas editorias de entretenimento e variedades.



