A psicologia diz que pessoas que conseguem manter a calma quando provocadas possuem maior capacidade de regulação emocional
Esses indivíduos realizam uma 'pausa' consciente antes de reagir, o que ajuda a reduzir as reações impulsivas

Uma crítica inesperada, um comentário com duplo sentido ou uma provocação podem desencadear uma resposta quase automática. No entanto, algumas pessoas conseguem evitar entrar imediatamente em discussões e esperam alguns segundos antes de responder.
A psicologia relaciona essa capacidade a diversos processos de regulação emocional que nos permitem identificar o que estamos sentindo, controlar o impulso inicial e escolher uma resposta mais adequada à situação. Isso não significa não sentir raiva, mas sim impedir que a emoção dite completamente o que fazer em seguida.
O espaço entre sentir e reagir
A regulação emocional não se trata de eliminar emoções desagradáveis ou parecer calmo o tempo todo, mas sim de influenciar como vivenciamos e expressamos o que sentimos para que possamos agir de forma adaptativa. Estudos recomendam, especialmente ao lidar com a raiva, pensar antes de agir e tentar se acalmar antes de reagir.
Quando alguém provoca outra pessoa, uma reação em cadeia muito rápida pode ocorrer: a pessoa percebe a provocação como uma ameaça ou ataque, a excitação emocional aumenta e surge o impulso de responder.
Introduzir uma pausa interrompe essa sequência automática, a qual pode consistir em respirar fundo, permanecer em silêncio por alguns segundos, pedir à outra pessoa que esclareça o que disse ou até mesmo adiar a conversa se a tensão estiver muito alta.
Isso não significa que elas não fiquem com raiva
Um dos pontos-chave é não confundir calma com ausência de emoção. Uma pessoa pode se sentir irritada, ofendida ou com raiva e ainda assim optar por não reagir imediatamente. Pesquisas sobre regulação emocional estudaram precisamente como certas estratégias podem modificar a experiência da raiva quando uma pessoa é provocada.
Entre essas estratégias está a reavaliação cognitiva, que envolve modificar nossa interpretação de uma situação para reduzir seu impacto emocional. Estudos mostraram que pessoas que usavam essa estratégia com mais frequência exibiam menos raiva e emoções negativas em situações criadas para provocar irritação.
A importância de não reagir impulsivamente
As evidências disponíveis corroboram a ideia de que não se deve expressar imediatamente os sentimentos raivosos. Estudos alertam que comunicar a raiva de forma explosiva pode aumentar a irritação e a agressividade, em vez de resolver o conflito. Portanto, identificar o que desencadeia a reação e desenvolver estratégias para responder de forma diferente pode ser mais útil do que desabafar na mesma hora.
Portanto, manter a calma diante da provocação não deve ser interpretado como uma característica que algumas pessoas possuem e outras não. A regulação emocional engloba habilidades que podem ser desenvolvidas por meio de diferentes estratégias. Uma pausa consciente, por exemplo, permite observar o que está acontecendo antes de agir e recuperar parte da capacidade de escolha.
Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atuou na Rádio UFMG Educativa e em empresas de marketing, com experiência em produção de conteúdo, SEO e redação Atualmente, escreve, em colaboração com a Itatiaia, nas editorias de entretenimento e variedades.



