Saiba por que fazer procedimentos estéticos na pele durante verão não é uma boa ideia

Dermatologistas alertam que a exposição solar pode atrasar a recuperação, causar manchas e aumentar riscos em tratamentos estéticos comuns

Com a chegada de um novo ano, é comum surgir aquela lista de promessas, que incluem cuidar melhor do corpo e do rosto. Muita gente decide começar tudo de uma vez, recorrendo aos procedimentos estéticos. Mas, no auge do verão, um fator importante entra em cena e pode atrapalhar esses planos: o sol.

Segundo especialistas entrevistados pelo Uol, o problema não está exatamente na estação do ano, mas na exposição solar intensa, que pode comprometer os resultados e até provocar efeitos indesejados em alguns tratamentos. Procedimentos mais agressivos, como lasers que removem camadas superficiais da pele, a exemplo do CO2, e técnicas como o microagulhamento, exigem cuidados redobrados.

A dermatologista Fabíola Tasca explica que o sol interfere diretamente na recuperação da pele. Após um procedimento, o organismo inicia um processo natural de regeneração, mas a radiação solar pode gerar um conflito nesse mecanismo de defesa, atrasando a cicatrização e aumentando o risco de complicações.

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Outra especialista, Isa Maura Braga Pettinati, também dermatologista, reforça que tratamentos que sensibilizam a pele deixam o paciente mais vulnerável a manchas e queimaduras solares, especialmente durante o verão, quando a exposição ao sol tende a ser maior e mais intensa.

Mesmo procedimentos considerados mais simples merecem atenção. De acordo com Tasca, a depilação a laser, por exemplo, pode causar queimaduras quando realizada em pele bronzeada, já que o contraste entre a cor da pele e do pelo influencia diretamente a segurança do tratamento.

Ligia Novais, médica membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, destaca que a questão envolve também a inflamação do organismo. Muitos procedimentos estéticos provocam uma resposta inflamatória controlada para estimular o colágeno ou melhorar a textura da pele. O sol, por sua vez, também aumenta a inflamação corporal. A combinação desses dois fatores pode criar um ambiente favorável ao surgimento de manchas e maior sensibilidade cutânea.

Planejamento

Quem deseja chegar ao verão com menos rugas, flacidez ou até redução de pelos precisa pensar a longo prazo. Os especialistas recomendam iniciar os cuidados meses antes, de preferência no começo do ano, associando uma rotina diária de skincare a procedimentos programados com orientação médica.

Fabíola Tasca comenta que constância é a palavra-chave. Atividade física regular, alimentação equilibrada e cuidados contínuos com a pele são fundamentais para resultados mais seguros e duradouros. Ela lembra que muitos tratamentos não trazem efeitos imediatos. Bioestimuladores usados para combater a flacidez, por exemplo, podem levar de três a seis meses para apresentar resultados visíveis.

Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

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