Primeiros socorros para picada de cobra: o que fazer e o que não fazer
Conhecer as práticas corretas pode salvar vidas; mitos ainda colocam vítimas em risco em regiões com alta incidência de serpentes

Em muitas regiões do mundo, especialmente em áreas rurais e floretas, o encontro com cobras faz parte da rotina. Embora muitas espécies sejam inofensivas e evitem contato com seres humanos, o risco de picadas venenosas é significativo. Picadas de cobra podem causar ferimentos graves e, em casos mais extremos, levar à morte se o socorro adequado não for prestado rapidamente.
O problema é que, diante do pânico, muitas pessoas ainda recorrem a métodos antigos e ineficazes - alguns, inclusive, perigosos. Ao longo dos anos, diversas práticas populares mostraram-se inúteis ou prejudiciais. Saber como agir corretamente nos primeiros momentos após uma picada pode ser decisivo para a sobrevivência e recuperação da vítima.
Veja abaixo o que fazer:
Manter a calma e evitar movimentos
Buscar atendimento médico imediatamente
Nenhum remédio caseiro substitui o tratamento médico adequado. O veneno de algumas cobras pode afetar o sistema nervoso, a coagulação sanguínea e órgãos internos. É essencial acionar os serviços de emergência ou conduzir a vítima rapidamente a um hospital. O uso de soro antiofídico, administrado por profissionais de saúde, é o único tratamento específico eficaz. Conforme reforça a OMS, a administração oportuna do antídoto é fundamental para reduzir o risco de morte e incapacitação.
Remover objetos apertados
Como o inchaço é comum após a picada, recomenda-se retirar anéis, pulseiras, relógios ou roupas apertadas próximas à área afetada, para evitar complicações adicionais. Se for seguro, observar a coloração e o formato da cobra pode ajudar na identificação da espécie, facilitando a escolha do antídoto adequado. No entanto, tentar capturar o animal é altamente desaconselhado.
Nunca cortar ou sugar o local da picada
Uma das práticas mais perigosas é cortar a pele ou tentar sugar o veneno. Isso pode agravar o ferimento e aumentar o risco de infecções. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) é categórico: "não aplique gelo, não corte o ferimento e não tente sugar o veneno". Esses métodos são ineficazes e frequentemente pioram a situação.
Evite torniquetes e gelo
Outra atitude equivocada é amarrar um torniquete acima do local da picada ou aplicar gelo. Ambas as ações comprometem a circulação sanguínea e podem causar danos graves aos tecidos. O CDC reforça que torniquetes podem causar sérios danos e não impedem a disseminação do veneno. O mais indicado é imobilizar delicadamente o membro afetado com uma tala ou faixa, sem interromper completamente a circulação.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



