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Por que você vive adiando tarefas? A ciência tem a resposta

Estudos indicam que a procrastinação está mais ligada à forma como lidamos com emoções do que à falta de disciplina

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Mulher cansada do trabalho home office em frente a um laptop
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A ideia de que procrastinar é sinônimo de preguiça já não se sustenta nas pesquisas mais recentes. Hoje, a ciência entende esse comportamento principalmente como uma dificuldade de autorregulação emocional — ou seja, uma maneira de evitar sentimentos desconfortáveis associados a determinadas tarefas.

Uma revisão publicada em 2023 pela Durham University aponta que o adiamento costuma funcionar como um mecanismo de fuga. Quando uma atividade desperta ansiedade, tédio, frustração ou medo de fracassar, o cérebro tende a priorizar recompensas imediatas — como checar o celular ou assistir a vídeos — em vez de enfrentar o incômodo.

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Não é só falta de vontade

A própria definição científica de procrastinação reforça isso: trata-se de adiar uma tarefa mesmo sabendo que isso trará consequências negativas. Ou seja, não é desconhecimento do problema — é dificuldade de agir apesar dele.

Um estudo publicado em 2025 na revista Personality and Individual Differences identificou uma relação de mão dupla entre procrastinação e regulação emocional. Quanto mais a pessoa adia, mais difícil fica lidar com emoções — e quanto pior essa regulação, maior a tendência de continuar adiando.

O que faz você adiar

Algumas características tornam certas tarefas especialmente “adiáveis”: quando parecem longas, difíceis, entediantes ou ameaçadoras para a autoestima. Nesses casos, o cérebro busca alívio rápido em atividades mais prazerosas.

Fatores como perfeccionismo e medo de falhar também pesam. Uma revisão de 2026 sobre procrastinação acadêmica destaca esses elementos como centrais, junto à dificuldade de lidar com emoções negativas.

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Um ciclo que se retroalimenta

Adiar pode até trazer alívio momentâneo, mas o efeito não dura. Com o tempo, surgem culpa, estresse e pressão — o que aumenta ainda mais a chance de novas procrastinações.

Pesquisas recentes também associam esse hábito a impactos mais amplos, como pior qualidade do sono, menor satisfação com a vida e redução da sensação de eficácia pessoal.

O que realmente ajuda

O consenso mais forte entre especialistas é que procrastinação não é apenas uma falha de organização. Por isso, estratégias focadas só em planejamento nem sempre resolvem.

Um estudo publicado na Behaviour Research and Therapy mostrou que desenvolver habilidades de regulação emocional pode reduzir significativamente o comportamento de adiar tarefas.

Na prática, isso significa que lidar melhor com o desconforto — e não apenas com o tempo — pode ser a chave para parar de procrastinar.

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Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias Turismo e Emprego e Concursos.