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O que acontece quando morremos? Neurocientista português explica

Miguel Castelo-Branco, que participa de um simpósio internacional dedicado ao estudo da consciência e do fim da vida explica a dificuldade de investigar empiricamente os momentos finais da vida

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Túmulo, cemitério, morte, luto
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O que acontece nos últimos momentos de vida ainda está longe de ser totalmente compreendido pela ciência. Embora avanços recentes tenham permitido explicar parte dos fenômenos associados à morte, especialistas reconhecem que o tema permanece cercado por dúvidas.

É o que afirma o neurocientista Miguel Castelo-Branco, que participa de um simpósio internacional dedicado ao estudo da consciência e do fim da vida. Segundo ele, o conhecimento atual está em um ponto intermediário: há algumas respostas consolidadas, mas muitas perguntas seguem em aberto.

“Estamos numa área de fronteira. Há fenômenos que conseguimos explicar, mas outros continuam enigmáticos”, afirma.

Fenômenos ainda sem explicação

Entre os principais mistérios está a chamada lucidez terminal — episódios em que pessoas gravemente debilitadas recuperam, pouco antes da morte, clareza mental e capacidade de comunicação.

Nesses momentos, pacientes podem recordar memórias, reconhecer familiares e até se despedir. No entanto, do ponto de vista fisiológico, não há uma explicação clara para essa recuperação súbita.

Pesquisadores levantam hipóteses de que o cérebro mobilizaria suas últimas reservas biológicas em uma espécie de resposta final, mas o mecanismo ainda não é totalmente compreendido.

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Experiências de quase morte

Outro campo de estudo envolve as chamadas experiências de quase morte, frequentemente descritas por pessoas que relatam sensação de atravessar um túnel ou ver uma luz intensa.

Para alguns desses relatos, já existem explicações científicas. Alterações na atividade do sistema visual, por exemplo, podem gerar a percepção de luz no fim de um túnel.

Ainda assim, nem todos os aspectos dessas experiências são totalmente explicados.

Ciência, consciência e espiritualidade

O debate sobre o fim da vida também ultrapassa os limites da biologia. O simpósio reúne especialistas de diferentes áreas, incluindo neurociência, filosofia, antropologia e até estudos ligados à espiritualidade.

A proposta é justamente confrontar visões distintas — e, em alguns casos, contraditórias — sobre a morte e a consciência.

“O cruzamento dessas perspectivas é importante, porque amplia a compreensão e levanta novas questões”, explica Castelo-Branco.

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Desafio de estudar o fim da vida

Um dos maiores obstáculos para a ciência é a dificuldade de investigar empiricamente os momentos finais. Captar dados do cérebro em situações de morte iminente ainda é um desafio técnico e ético.

Pesquisas com pacientes em cuidados paliativos e estados de consciência alterados têm permitido alguns avanços, especialmente na tentativa de compreender como o cérebro se comporta nesses instantes.

Ainda assim, muitos estudos dependem de relatos subjetivos, o que limita conclusões mais definitivas.

Um mistério que permanece

Apesar dos avanços, o fim da vida continua sendo um dos maiores enigmas da ciência. Entre explicações fisiológicas e experiências subjetivas, o tema segue desafiando pesquisadores.

“Entre o que a ciência consegue explicar e o que ainda sentimos como mistério, há um campo enorme a ser explorado”, resume o neurocientista.

*Com CNN Portugal

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Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias Turismo e Emprego e Concursos.