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Pessoas entre 55 e 75 anos têm uma maior tolerância ao silêncio, diz psicologia

Diferença está ligada ao contexto histórico e ao desenvolvimento cerebral

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Reservar espaços de tempo de silêncio intencional pode ser uma boa estratégia para lidar bem com o silêncio • Reprodução / Redes Sociais;

Você gosta de ficar em silêncio? Se sente confortável? A psicologia vem documentando com crescente interesse uma clara divisão geracional na forma como lidamos com o silêncio. Pessoas entre 55 e 75 anos costumam demonstrar maior tolerância pelo isolamento acústico em comparação com os mais jovens. Longe de ser apenas uma questão de temperamento individual, essa diferença está profundamente ligada ao contexto histórico e ao desenvolvimento cerebral.

Como a infância moldou o sistema nervoso dessa geração

Quem nasceu entre 1950 e 1970 cresceu em um ambiente sonoro radicalmente diferente do atual. Sem notificações instantâneas, redes sociais, streaming contínuo ou o zumbido digital que hoje satura o cotidiano, o silêncio era uma parte natural do dia. Ele existia nos intervalos dos programas de rádio, nas tardes sem televisão e nas brincadeiras ao ar livre.

A neurociência explica que o sistema nervoso se calibra durante a infância com base nos estímulos que recebe regularmente:

  • Linha de base mais baixa: Um cérebro formado em ambientes menos ruidosos desenvolve um limiar menor para o que considera uma estimulação "normal".

  • Silêncio como porto seguro: Para essa geração, a ausência de som não representa um vazio a ser preenchido; é o estado neutro, familiar e reconfortante que o cérebro aprendeu a associar ao descanso e à segurança.

Maturidade biológica ou herança histórica?

Afinal, a tolerância ao silêncio aumenta naturalmente com a idade ou é fruto da época em que se viveu? A resposta é: ambos os fatores operam juntos.

  1. O fator biológico: O envelhecimento traz mudanças neurológicas que reduzem a necessidade de estimulação externa para manter o estado de alerta. O córtex pré-frontal — região associada ao controle de impulsos e à tolerância à monotonia — atinge sua maturidade plena ao longo da vida adulta, permitindo que o silêncio seja vivenciado sem ansiedade.

  2. O fator histórico: O contexto social acrescenta uma camada afetiva. Essa geração não apenas envelheceu, mas carregou consigo a memória do silêncio como um estado positivo.

    Enquanto as gerações mais jovens muitas vezes interpretam a falta de estímulo sonoro como solidão ou tédio, para os mais velhos o silêncio é o que sempre foi: um espaço de paz.

Como pessoas mais jovens podem desenvolver uma relação melhor com o silêncio?

A boa notícia é que o sistema nervoso adulto mantém plasticidade suficiente para se adaptar com a prática. Algumas abordagens que a psicologia e a neurociência identificam como eficazes incluem:

  • Reservar espaços de tempo de silêncio intencional (começar com 5 a 10 minutos)
  • Caminhar sem fone de ouvido
  • Criar rituais sem telas
  • Associar silêncio a prazer
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