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Partindo de um fogão proibido, uma escola técnica em Villa Soldati inventou um sistema para prevenir incêndios

Criado por estudantes argentinos após uma fogueira ser proibida em uma viagem escolar, o sistema monitora condições ambientais para prevenir incêndios

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Maximiliano Occhiuzzi, Ailén Mier, Mayra Equice e Brenda Cardozo são estudantes do sexto ano do Instituto Técnico Nossa Senhora de Fátima, em Villa Soldati
Maximiliano Occhiuzzi, Ailén Mier, Mayra Equice e Brenda Cardozo são estudantes do sexto ano do Instituto Técnico Nossa Senhora de Fátima, em Villa Soldati • Divulgação

Estudantes de uma escola técnica de Buenos Aires, na Argentina, desenvolveram um dispositivo que monitora condições ambientais para identificar situações favoráveis a incêndios florestais. O projeto surgiu durante uma viagem escolar e está entre os finalistas de um prêmio internacional de sustentabilidade.

Batizado de FireNova, o sistema foi criado por quatro alunos do Instituto Técnico Nossa Senhora de Fátima, localizado em Villa Soldati, no sul da capital argentina, com a orientação de professores. A iniciativa começou há dois anos, quando os estudantes foram impedidos de acender uma fogueira durante uma viagem às serras de Córdoba, devido ao risco de incêndios na região.

A proibição levou o grupo a pensar em uma solução tecnológica para ajudar na prevenção de queimadas. Os alunos utilizaram conhecimentos de programação, robótica e eletrônica para desenvolver um protótipo capaz de monitorar variáveis ambientais relacionadas ao risco de incêndios.

Como funciona o sistema que detecta risco de incêndio

O FireNova utiliza sensores para medir condições como temperatura e umidade do solo. O sistema também considera a velocidade do vento, com informações obtidas do Serviço Meteorológico Nacional da Argentina.

A partir desses dados, a tecnologia busca identificar condições ambientais que favorecem o início de incêndios florestais. Para isso, os estudantes adotaram como referência a chamada “regra dos 30”, que considera temperaturas acima de 30 °C, ventos superiores a 30 km/h e umidade do solo de 30%.

Os equipamentos utilizam a tecnologia de comunicação LoRa, que permite transmitir informações a longas distâncias sem exigir uma conexão convencional à internet em cada sensor. Os dados são enviados a uma plataforma digital desenvolvida pelos próprios estudantes, que permite visualizar as medições em um mapa.

O objetivo é possibilitar a emissão de alertas a órgãos de emergência quando forem identificadas condições de risco. O protótipo já foi testado em Córdoba, mas ainda não está em operação permanente. Entre as melhorias previstas está a instalação de uma câmera com inteligência artificial para identificar fumaça.

Projeto concorre a prêmio internacional

O FireNova foi selecionado como um dos três finalistas da região das Américas do Prêmio Zayed de Sustentabilidade de 2027, dos Emirados Árabes Unidos. A iniciativa concorre na categoria Escolas Secundárias Globais com projetos do Canadá e da Colômbia.

A edição recebeu 10.233 inscrições de 177 países. Os finalistas já têm garantido um financiamento de US$ 25 mil, enquanto o vencedor da categoria receberá US$ 150 mil.

O resultado será anunciado em 12 de janeiro de 2027, durante uma cerimônia em Abu Dhabi. Caso conquistem o prêmio principal, os estudantes e professores pretendem fabricar inicialmente dez dispositivos e ampliar a produção para atender áreas rurais vulneráveis a incêndios florestais.

Além da prevenção de queimadas, o projeto busca ampliar o acesso a tecnologias de monitoramento ambiental, especialmente em regiões com conectividade limitada. Os desenvolvedores também planejam disponibilizar o sistema em código aberto, permitindo que outras instituições aproveitem a solução.

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