Para pessoas com mais de 65 anos: estudo diz se ficar sozinho piora memória ao longo do tempo
Participantes que relataram altos níveis de solidão começaram o estudo com pontuações mais baixas

Um novo estudo europeu, realizado com mais de 10 mil idosos ao longo de sete anos, trouxe conclusões reveladoras sobre o impacto da solidão no cérebro de pessoas acima dos 65 anos. A pesquisa, baseada em dados da Pesquisa sobre Saúde, Envelhecimento e Aposentadoria na Europa (SHARE), indica que, embora o sentimento de isolamento esteja associado a um desempenho inicial inferior em testes de memória, ele não parece acelerar o declive cognitivo progressivo com o passar do tempo.
De acordo com a investigação conduzida por Luis Carlos Venegas-Sanabria, da Universidade do Rosario, e publicada recentemente, os participantes que relataram altos níveis de solidão começaram o estudo com pontuações mais baixas em testes de memória imediata e diferida.
Entretanto, o ritmo de perda dessa capacidade ao longo dos sete anos de acompanhamento foi semelhante ao observados em pessoas que declararam níveis baixos ou moderados de solidão. Isso sugere que a solidão desempenha um papel mais significativo no estado inicial da saúde mental do que no agravamento gradual de doenças degenerativas, o que reforça a tese de que o isolamento não é necessariamente um fator de risco determinante para a demência acelerada.
Os dados também traçaram um perfil demográfico e regional da solidão. O estudo identificou que os maiores índices de isolamento estão no sul da Europa, com 12%, seguidos pelas regiões oriental e setentrional, ambas com 9%, e pela região central, com 6%. No grupo que relatou maior solidão, composto majoritariamente por mulheres e indivíduos de idade mais avançada, também foi observada uma maior prevalência de doenças como depressão, hipertensão arterial e diabetes.
Diante desses resultados, os pesquisadores propõem que a avaliação periódica do sentimento de solidão seja integrada aos exames cognitivos de rotina para idosos. A ideia é que, ao identificar e mitigar o isolamento em estágios precoces, seja possível melhorar o rendimento mental e promover um envelhecimento mais saudável. Os autores ressaltam ainda que a percepção de solidão é dinâmica e pode ser influenciada por mudanças no ambiente ou na vida pessoal, o que abre caminhos para intervenções sociais que ajudem a preservar a qualidade de vida na terceira idade.
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