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O risco ao seu coração escondido no quarto, e não na cozinha

Sono de baixa qualidade está associado a pressão alta, inflamação e maior risco cardiovascular; especialista explica por que dormir bem também é parte da prevenção de doenças do coração

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Quando o assunto é cuidar do coração, muita gente pensa imediatamente em alimentação saudável, atividade física e abandono do cigarro. Esses hábitos realmente são importantes, mas existe outro fator que costuma ficar em segundo plano: o sono.

De acordo com o cardiologista Hemanth Kaukuntla, cirurgião cardiotorácico do Renova Century Hospital, até mesmo pessoas que mantêm uma rotina saudável podem deixar de lado um componente essencial para a saúde cardiovascular.

"Você se alimenta de forma saudável, pratica exercícios regularmente, mantém um peso saudável e não fuma. Você pode pensar que está fazendo tudo o que é possível para proteger seu coração", afirma o especialista ao Times of India. Segundo ele, porém, o sono é uma parte importante dessa equação.

A preocupação não é apenas uma noite maldormida. Evidências científicas apontam que a falta de sono ou um descanso de baixa qualidade, quando se torna frequente, pode estar associada a maior risco de problemas cardiovasculares.

O que acontece com o coração durante uma noite maldormida?

Durante o sono normal, especialmente nas fases mais profundas, a frequência cardíaca e a pressão arterial tendem a diminuir. Esse período representa uma espécie de pausa para o sistema cardiovascular, permitindo que o organismo se recupere das exigências do dia.

Quando o sono é interrompido repetidamente, essa recuperação pode ser prejudicada. Segundo Kaukuntla, as interrupções frequentes podem aumentar a atividade do sistema de resposta ao estresse do organismo.

Com o passar do tempo, dormir pouco ou ter um sono fragmentado pode contribuir para pressão alta, inflamação e alterações metabólicas, fatores que estão relacionados às doenças cardiovasculares.

Por isso, o problema não está necessariamente em uma noite ruim isolada, mas no acúmulo de noites em que o organismo não consegue descansar adequadamente.

Não é apenas uma questão de quantas horas você dorme

Uma das dúvidas mais comuns é quantas horas de sono seriam necessárias para proteger o coração. Uma grande revisão sistemática citada pelo especialista encontrou uma relação em formato de U entre duração do sono e resultados cardiovasculares.

Nesse levantamento, o menor risco foi observado em torno de sete horas de sono por noite. Tanto períodos significativamente menores quanto períodos mais longos estiveram associados a maior risco cardiovascular. Mas isso não significa que basta passar sete horas na cama.

Uma pessoa pode permanecer oito horas deitada e, ainda assim, ter um sono de baixa qualidade. Acordar diversas vezes durante a noite, dormir e acordar em horários irregulares, ter dificuldade para pegar no sono ou sentir sonolência excessiva durante o dia são sinais de que o descanso pode não estar adequado.

Ronco alto pode ser mais do que um incômodo

Entre os problemas que merecem atenção está a apneia obstrutiva do sono. A condição faz com que a respiração seja interrompida ou fique parcialmente bloqueada várias vezes durante a noite.

O problema muitas vezes é confundido com um simples ronco. No entanto, ronco intenso, engasgos ou suspiros durante o sono e sonolência excessiva durante o dia são sinais que não deveriam ser ignorados.

Segundo Kaukuntla, esses sintomas não devem ser tratados apenas como consequência normal do envelhecimento ou do cansaço.

Melhorar o sono pode ajudar o coração?

A boa notícia é que cuidar melhor do sono pode trazer benefícios. O especialista cita uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2026 no European Heart Journal - Open, que analisou intervenções comportamentais destinadas a melhorar o sono.

Os resultados indicaram que essas intervenções estiveram associadas à redução da pressão arterial. Isso sugere que melhorar o sono pode ser mais do que uma maneira de acordar com mais disposição e também pode fazer parte da prevenção cardiovascular.

Isso, porém, não significa que dormir bem substitua os demais cuidados.

"Temos tradicionalmente dito às pessoas para se alimentarem bem e se exercitarem para proteger o coração. Talvez a recomendação moderna devesse ser: alimente-se bem, movimente-se bem, durma bem", afirma o cardiologista.

A orientação é complementar o sono adequado à alimentação equilibrada, à prática regular de exercícios e aos tratamentos prescritos quando necessários.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

 

 

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