O que é a metilação do corpo e por que ela ajuda na energia, fertilidade e imunidade

Especialista explica como esse processo essencial atua na reparação celular, regula hormônios e pode influenciar da disposição diária ao risco de doenças

A metilação, um dos processos bioquímicos mais importantes do corpo humano, vem ganhando destaque entre especialistas em saúde. Segundo o geneticista Jorge Dotto, trata-se de uma espécie de fábrica química que produz moléculas indispensáveis para energia, defesa celular, equilíbrio hormonal, memória, fertilidade e detoxificação.

Para entender melhor, Dotto propõe, em entrevista ao Infobae, uma metáfora simples. Imagine cada célula como um grande escritório e o ciclo da metilação como a gráfica central. Essa gráfica produz uma “tinta invisível” necessária para que as instruções corretas cheguem a todas as áreas do organismo. Quando há tinta suficiente, as defesas funcionam, o corpo se recupera bem dos danos e a energia flui. Quando falta tinta, por estresse, má alimentação ou carências nutricionais, surgem falhas de comunicação interna que afetam diversos sistemas.

De acordo com o especialista, sintomas como fadiga constante, intolerância a alimentos ou medicamentos, problemas digestivos e desequilíbrios hormonais podem indicar que esse ciclo está desacelerado.

O ciclo da metilação depende principalmente de folato, vitamina B12, colina e de genes como MTHFR, MTR, MTRR, AHCY, CBS e COMT. Já a metilação do DNA é um mecanismo diferente: usa esses metilos para ativar ou silenciar genes sem alterar o código genético.

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Dotto compara o ciclo eficiente a um celular com software atualizado. Quando funciona bem, o corpo repara o DNA, neutraliza toxinas e metais pesados, regula hormônios, controla inflamações, produz neurotransmissores e gera energia. Quando falha, tudo fica mais lento e menos preciso.

Entre os possíveis efeitos do mau funcionamento estão:

  • Fadiga persistente;
  • Intolerância a medicamentos ou álcool;
  • Problemas digestivos;
  • Alterações hormonais como miomas e endometriose;
  • Ansiedade e irritabilidade;
  • Aumento do risco celular a longo prazo.

Um dos principais marcadores desse desequilíbrio é a homocisteína alta no sangue. Quando o ciclo está comprometido, essa molécula se acumula, indicando falta de folato ativo, vitamina B12, colina ou alterações genéticas que reduzem a eficiência do processo.

O geneticista afirma que o Ciclo da Metilação é hereditário, mas pode ser treinado. Estresse, má alimentação, pesticidas, álcool, tabaco, falta de sono e exposição a tóxicos o prejudicam. Já vegetais verdes, ovos, peixes, fígado, polifenóis (como chá verde e cacau), sono adequado, exercício e redução de substâncias nocivas ajudam a otimizar o funcionamento.

O ciclo também influencia áreas mais específicas da saúde. Na fertilidade, por exemplo, tem papel fundamental na qualidade de óvulos e espermatozoides, implantação embrionária, resposta a tratamentos como FIV e prevenção de perdas gestacionais. A má degradação da histamina também pode estar ligada a um ciclo lento, gerando sintomas frequentemente confundidos com alergias.

Na saúde mental, o gene COMT regula neurotransmissores como dopamina, serotonina e adrenalina, podendo explicar maior propensão à ansiedade ou sensibilidade ao estresse.

Hoje, o Ciclo da Metilação é avaliado de duas formas complementares: pela análise genética de genes como MTHFR, MTR e MTRR e por exames de sangue que medem homocisteína, folato ativo e vitamina B12 ativa. Segundo Dotto, conhecer esse ciclo não serve apenas para prever riscos, mas para ajustar intervenções nutricionais e de estilo de vida que melhoram a saúde no presente.

Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

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