Belo Horizonte
Itatiaia

O que acontece com os rins quando você bebe pouca água? Entenda os impactos

Hidratação insuficiente à longo prazo afeta funcionamento do órgão

Por
Beber pouca água afeta a função renal
Beber pouca água afeta a função renal • Freepik

Manter uma boa hidratação é um dos cuidados mais importantes para a saúde dos rins. Quando o consumo de água é insuficiente à longo prazo, a urina fica mais concentrada e o equilíbrio de sais do organismo é afetado, de modo que os rins precisam trabalhar mais para filtrar as impurezas do sangue.

Com o tempo, esse esforço extra pode favorecer a formação de cristais e pedras nos rins, além de contribuir para uma perda gradual da função renal, especialmente em pessoas que já convivem com pressão alta, diabetes ou têm histórico de cálculo renal.

Por que a falta de água sobrecarrega os rins?

Os rins desempenham um papel essencial no organismo: eles regulam a quantidade de água, sódio e potássio e eliminam resíduos produzidos pelo metabolismo.

Quando a ingestão de líquidos é baixa de forma frequente, o corpo tenta economizar água. Como consequência, a urina fica mais concentrada e aumenta-se a produção de hormônios, como a vasopressina, que ajudam a reter líquidos. Embora esse mecanismo seja natural, ele faz com que os rins tenham que trabalhar mais na filtragem das impurezas do sangue.

Ao longo dos meses ou anos, a desidratação leve e constante pode aumentar o risco de sintomas como urina escura, ardor ao urinar, dor na região lombar e formação de cálculos renais.

Em muitos casos, a perda da função dos rins acontece de maneira silenciosa. Por isso, alterações só costumam ser identificadas por exames, como creatinina e taxa de filtração glomerular.

O que dizem os estudos?

As pesquisas não mostram que beber água em excesso seja uma forma de proteger completamente os rins. No entanto, diversos estudos apontam que uma ingestão insuficiente de líquidos está associada a desfechos ruins para a saúde urinária e renal.

Um estudo publicado no The Journal of Nutrition, Health & Aging acompanhou pessoas com alto risco cardiovascular durante três anos e observou que aquelas que bebiam mais água apresentaram uma menor redução da função renal ao longo do tempo.

Outra revisão científica, publicada na revista Medicine, mostrou que aumentar a ingestão de água reduz o risco de formação de pedras nos rins. A explicação é simples: uma urina mais diluída diminui a concentração de minerais que podem formar cristais.

Quais sinais podem indicar que os rins estão sofrendo?

Nem sempre os rins dão sinais logo no início e muitas pessoas permanecem sem sintomas por bastante tempo. Quando eles aparecem, os mais comuns incluem:

  • Urina escura ou com odor forte;
  • Pequeno volume de urina;
  • Dor na região lombar ou desconforto abdominal;
  • Cansaço, dor de cabeça e sensação constante de boca seca;
  • Maior predisposição a infecções urinárias ou formação de cristais na urina.

Quem já teve pedra nos rins deve ficar atento a sintomas como cólica intensa, náuseas e presença de sangue na urina, que podem indicar um novo episódio.

Beber pouca água pode causar insuficiência renal?

Nem sempre. A insuficiência renal costuma ser resultado da combinação de vários fatores, como hipertensão, diabetes, uso frequente de anti-inflamatórios, infecções urinárias repetidas e cálculos renais recorrentes.

Ainda assim, manter uma hidratação inadequada durante muitos anos elimina um importante fator de proteção dos rins. Em pessoas com o histórico citado, isso pode acelerar a perda da função renal de forma lenta e silenciosa.

Como cuidar da saúde dos rins no dia a dia?

Não é necessário beber grandes quantidades de água de uma só vez. O mais importante é manter uma hidratação adequada ao longo do dia, respeitando a sede, o clima, o nível de atividade física e as orientações médicas.

Algumas atitudes simples fazem diferença:

  • Tenha sempre uma garrafa de água por perto;
  • Observe a cor da urina: em geral, tons mais claros indicam boa hidratação;
  • Reduza o consumo de sal e alimentos ultraprocessados;
  • Evite o uso frequente de anti-inflamatórios sem orientação médica;
  • Mantenha a pressão arterial, a glicemia e o peso corporal sob controle.

Pessoas com doença renal crônica, insuficiência cardíaca ou que fazem diálise não devem aumentar a ingestão de água por conta própria. Nesses casos, a quantidade ideal deve ser definida pelo médico, de acordo com exames e características individuais.

Por

Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atuou na Rádio UFMG Educativa e em empresas de marketing, com experiência em produção de conteúdo, SEO e redação Atualmente, escreve, em colaboração com a Itatiaia, nas editorias de entretenimento e variedades.