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Morador instala placas solares no telhado coletivo, e condomínio exige retirada

Descubra as regras condominiais para instalação de energia solar, os requisitos legais de autorização e como evitar conflitos em áreas compartilhadas

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Usina de placas solares em Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte
Placas solares • Henrique Queiróz

Rogério queria reduzir a conta de luz e investiu em placas solares para seu apartamento no último andar. A obra foi concluída, o sistema estava funcionando, mas o condomínio exigiu a retirada porque parte dos equipamentos ocupava o telhado coletivo.

O caso ilustra um princípio fundamental do direito condominial brasileiro: morar no último andar não transforma automaticamente a cobertura em área particular. Este guia mostra o que a lei determina sobre instalações em telhados compartilhados, quais autorizações são necessárias e como proceder corretamente antes de qualquer obra envolvendo energia solar em condomínios.

O que a lei define como área comum em condomínios

O Código Civil brasileiro inclui expressamente o telhado entre as partes comuns do edifício condominial. O terraço de cobertura também recebe essa classificação, exceto quando a escritura de constituição do condomínio dispuser de forma contrária.

Estar localizado no último andar não cria domínio exclusivo sobre a área superior da edificação. O condômino pode usar as partes comuns conforme a destinação prevista para elas, desde que não exclua nem prejudique o uso pelos demais coproprietários.

Essa definição legal afeta diretamente projetos de instalação solar que dependem do telhado compartilhado. A viabilidade técnica do sistema não substitui a necessidade de autorização condominial quando os equipamentos ocupam espaço coletivo.

Quais verificações fazer antes de instalar placas solares

A escritura de constituição do condomínio, a convenção condominial e o regimento interno precisam ser consultados antes da instalação. Esses documentos estabelecem regras específicas sobre uso de áreas comuns e intervenções estruturais.

Além das questões jurídicas, a análise técnica deve avaliar segurança estrutural, impermeabilização, acesso para manutenção e impacto visual do sistema. Quando as placas beneficiam apenas uma unidade mas ocupam telhado coletivo, a ocupação exclusiva pode limitar usos futuros pelos outros moradores.

O projeto técnico completo deve ser apresentado à administração do condomínio. Em muitos casos, será necessária deliberação em assembleia para aprovar a instalação em área compartilhada.

Qual o quórum necessário para aprovar a instalação

Não existe um quórum único aplicável a qualquer sistema solar em condomínio. O Código Civil prevê maioria dos condôminos para obras úteis e dois terços dos votos para certas obras em partes comuns que acrescentem estruturas destinadas a facilitar ou aumentar sua utilização.

Uma instalação particular no telhado precisa ser enquadrada conforme o projeto específico, as regras da convenção e o impacto sobre a área comum. Iniciar a obra antes da deliberação da assembleia pode gerar conflito mesmo quando a intenção seja apenas reduzir a própria despesa com energia.

O enquadramento correto da obra determina qual votação será necessária. Por isso a consulta prévia aos documentos condominiais e à administração evita problemas futuros.

O condomínio tem fundamento legal para exigir a retirada

Pode haver fundamento para a ordem de retirada quando a instalação particular ocupou área comum sem a autorização exigida. O Superior Tribunal de Justiça destaca que áreas comuns pertencem ao regime compartilhado do condomínio, diferentemente das unidades autônomas.

A ordem, porém, não seria automaticamente correta em qualquer situação. Rogério precisaria conferir como o telhado foi definido nos documentos do prédio, quais regras específicas foram violadas e se a notificação observou a convenção e as deliberações existentes.

Cada caso concreto exige análise dos documentos condominiais para determinar se a exigência tem respaldo legal ou se há margem para regularização da instalação já realizada.

Quem arca com os custos de desmontagem e reinstalação

O prejuízo financeiro não passa automaticamente ao condomínio quando a obra foi realizada sem verificação prévia. Se Rogério contratou e executou a instalação sem confirmar a autorização necessária, pode enfrentar despesas de desmontagem, reinstalação e reparos caso a intervenção tenha afetado a cobertura.

O contrato com a empresa instaladora também merece análise detalhada. Se a empresa assumiu expressamente alguma obrigação sobre autorizações condominiais ou provocou dano técnico na estrutura, a responsabilidade pode envolver outros aspectos contratuais.

A distribuição de responsabilidades depende do que foi acordado contratualmente e das circunstâncias da instalação.

Como proceder corretamente para instalar energia solar

O primeiro passo é conferir a escritura, a convenção e o regimento para verificar se o telhado é área comum e quais regras existem para equipamentos externos. Depois, o projeto técnico completo deve ser apresentado à administração do condomínio.

Quando cabível, o projeto será submetido à assembleia para deliberação dos condôminos. Essa ordem reduz o risco de investir em um sistema eficiente e depois precisar desmontá-lo por questões regimentais.

Em condomínio, a economia individual com energia elétrica não elimina os direitos dos demais proprietários sobre áreas compartilhadas nem as exigências de segurança da edificação. A autorização prévia protege tanto o morador quanto o condomínio.

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