Mesmo após presentear um jato de luxo aos EUA, frota de jatos particulares do Catar continua entre as maiores do mundo
Aeronaves personalizadas, avaliadas em centenas de milhões de dólares, seguem transportando a família real e autoridades do país com conforto e ostentação

Mesmo depois de presentear os Estados Unidos com um jato Boeing 747-8 avaliado em US$ 400 milhões, a família real do Catar mantém uma frota de aviões particulares maior que a de muitas companhias aéreas de pequeno porte. Entre os modelos mais modernos, o Gulfstream G700, tão disputado que até Elon Musk aguarda na fila, é considerado o “menor” da coleção.
Nas últimas semanas, a entrega do Boeing 747-8 de luxo ao governo americano colocou novamente os holofotes sobre a ostentação aérea do Catar. Mesmo com a saída do avião, que poderia facilmente ser descrito como um palácio voador, a Qatar Amiri Flight, divisão aérea da família real, continua operando uma das frotas VIP mais exclusivas do mundo.
Com sede no Aeroporto Internacional de Doha, separado do terminal comercial, a empresa atende exclusivamente a Casa de Thani, a família real do país, e altos membros do governo.
Qatar Amiri Flight
Criada em 1977, a Qatar Amiri Flight nasceu para oferecer transporte seguro e luxuoso à família real. Ao longo dos anos, a frota se modernizou, trocando modelos clássicos como os Boeing 707 e 727 por verdadeiras mansões sobre asas, que combinam tecnologia, conforto extremo e poder de representação.
Hoje, dois Boeing 747-8 (avaliados em até US$ 400 milhões cada) seguem operando na frota. São aeronaves de dois andares, com suítes, quartos, salas de reunião, banheiros com acabamento dourado e até centro médico a bordo.
Airbus A340-500
Entre os modelos em operação, está também um Airbus A340-500. Fora de linha na aviação comercial, ele segue valorizado no mercado VIP por sua autonomia e espaço interno. O interior, totalmente personalizado, acomoda cerca de 50 passageiros com dormitórios, chuveiros e escritórios privativos.
Dois Airbus A330-200 fazem parte da frota, usados principalmente por ministros e outros membros da família real. Com capacidade para até 60 pessoas, cada um chega a custar cerca de US$ 240 milhões após os luxos adicionados.
Para deslocamentos mais curtos, estão à disposição um Airbus A319-100 e um A320-200, ambos na configuração ACJ (Airbus Corporate Jet). São aeronaves menores, com capacidade para 19 passageiros, mas que não economizam no conforto, oferecendo cabines fechadas, lounges e conexão de internet de alta velocidade.
Gulfstream G700

O mais novo integrante da frota é o Gulfstream G700, considerado hoje o jato executivo mais avançado do mercado. Capaz de cruzar 7.500 milhas náuticas sem escalas, ele é sinônimo de tecnologia, velocidade e luxo — e ainda assim, é o menor da coleção aérea da família real do Catar.
Além do de luxo
A única aeronave não voltada ao transporte VIP é o Boeing C-17 Globemaster III, um cargueiro militar que serve para missões estratégicas, transporte de grandes volumes e até ações humanitárias. Avaliado em cerca de US$ 250 milhões, ele contrasta visualmente com os demais, mas cumpre um papel essencial na logística do país.
O Voo Amiri reflete não só o estilo de vida da família Al Thani, mas também a estratégia diplomática do Catar. A presença dos jatos é constante em cúpulas internacionais, eventos esportivos, semanas de moda e feiras de arte. O próprio Emir Tamim bin Hamad Al Thani, figura central da monarquia, é conhecido tanto pelos investimentos bilionários — como no PSG — quanto pela vida discreta, cercada de luxo.
Não é a primeira vez que um avião da frota vira presente diplomático. Em 2018, o Catar também entregou um Boeing 747-8 ao presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, gesto que chamou atenção pela ostentação e, ao mesmo tempo, pela sinalização de aliança entre os países.

Apesar das crescentes discussões globais sobre desigualdade e emissão de carbono, a frota segue operando normalmente, longe dos olhares do público, em uma área exclusiva do aeroporto de Doha. Por fora, as aeronaves mantêm a pintura discreta da Qatar Airways. Por dentro, são a materialização da riqueza movida a petróleo, gás e investimentos globais.
O mais recente presente ao governo dos Estados Unidos, um Boeing 747-8 personalizado, que agora deve se tornar o novo Air Force One, é mais um capítulo na história de como o luxo e a diplomacia caminham juntos nos céus do Catar.
Izabella Gomes se graduou em Jornalismo na PUC Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias de Educação e Saúde.









