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Ibuprofeno de 600mg não age mais rápido e faz mais dano ao estômago, alerta farmacêutica

Especialista explica como tratar dor de costas pontual e quando é necessário buscar atendimento médico

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Claudio Fachel/Palácio Piratini

Muitas pessoas acreditam que tomar a dose mais concentrada de um analgésico vai aliviar o desconforto com mais velocidade. Noemí Insua, farmacêutica e vocal de Ortopedia do Colégio Oficial de Farmacêuticos de A Coruña, desfaz esse mito frequente no balcão da farmácia.

Segundo ela, o ibuprofeno de 600 miligramas não acelera o alívio da dor em comparação com doses menores, mas provoca mais danos gástricos. Esse é apenas um dos equívocos comuns que levam pacientes a tratarem o problema de forma inadequada. A especialista orienta sobre as melhores estratégias para lidar com dor de costas aguda, quais recursos realmente funcionam e em que momento é fundamental procurar um médico.

Por que a dor de costas é tão frequente na população

A dor nas costas figura entre as queixas mais recorrentes em farmácias. Noemí Insua recebe muitas consultas sobre esse tipo de incômodo, que afeta desde crianças e jovens até idosos.

O sedentarismo crescente e as longas horas de trabalho sentado contribuem para esse cenário. Hérnias discais se tornaram comuns, e até mesmo quem pratica exercícios intensos pode desenvolver lesões na coluna.

Os maus hábitos posturais representam uma causa importante, tanto quanto quedas ou traumas diretos. O estilo de vida moderno criou condições propícias para que praticamente toda a população experimente esse desconforto em algum momento.

Como a farmacêutica avalia cada caso de dor de costas

A primeira etapa do atendimento consiste em identificar as características do desconforto relatado. Insua questiona onde exatamente a dor se localiza, há quanto tempo persiste e qual a intensidade percebida pelo paciente.

A presença de sintomas associados também é investigada. Cada dor apresenta particularidades que influenciam diretamente a escolha do tratamento mais adequado.

Essa avaliação inicial permite direcionar a orientação de forma individualizada. Nem todas as dores nas costas são iguais e tampouco respondem aos mesmos recursos terapêuticos.

Quais tratamentos funcionam para dor de costas pontual

Para desconfortos moderados e pontuais, a analgesia por via oral representa a primeira opção. Medicamentos como paracetamol e ibuprofeno estão disponíveis sem receita médica, mas isso não significa que sejam adequados para todos.

A farmacêutica pondera fatores como idade, histórico de saúde e outros medicamentos em uso. Os anti-inflamatórios, em particular, exigem cautela especial em pessoas idosas, gestantes e pacientes que já tomam vários remédios.

Tratamentos de aplicação local surgem como alternativa valiosa nesses casos. Géis, cremes e pomadas com princípios ativos agem diretamente na região afetada, sem sobrecarregar o sistema digestivo.

Os patches térmicos funcionam especialmente bem quando há componente muscular ou contractura. O calor aplicado na área promove vasodilatação e traz alívio sem necessidade de medicação sistêmica.

Paracetamol ou ibuprofeno para dor nas costas

A escolha entre esses dois analgésicos depende da natureza do problema. Quando existe processo inflamatório, como nas hérnias discais, o anti-inflamatório mostra-se superior.

O paracetamol não reduz inflamação, que muitas vezes constitui a origem do desconforto. Pacientes que não sabem se sua dor tem caráter inflamatório devem buscar orientação na farmácia, onde algumas perguntas ajudam a esclarecer.

Embora o ibuprofeno tenha espectro de ação mais amplo, ele não é indicado para todos. Pessoas anticoaguladas ou polimedicadas precisam ter mais cuidado com esse tipo de fármaco, devido aos possíveis efeitos colaterais.

Como funcionam os patches para dor localizada

Existem basicamente dois tipos de patches: térmicos e anti-inflamatórios. Os térmicos contêm substâncias que produzem calor por meio de reação química ao entrar em contato com a pele.

Esse calor aplicado diretamente sobre o ponto dolorido provoca vasodilatação local, gerando efeito analgésico. Já os patches anti-inflamatórios liberam gradualmente compostos ativos por via transdérmica.

Esses recursos mostram eficácia quando a dor se concentra em área específica. Se o desconforto estiver distribuído por toda a coluna, os patches tendem a não ser suficientes.

Quando usar calor ou frio na dor de costas

O frio atua como anti-inflamatório natural e deve ser aplicado nas primeiras 24 horas após traumas. Contusões, quedas e lesões agudas provocam inflamação na região afetada, e a baixa temperatura ajuda a controlá-la.

Géis refrigerantes vendidos em farmácias oferecem essa ação. Ao usar gelo ou alimentos congelados, é necessário proteger a pele com um pano para evitar queimaduras pelo frio excessivo.

O calor funciona melhor em contracturas musculares crônicas, mas precisa ser seco. Bolsas de sementes ou tecidos aquecidos com ferro de passar promovem sensação de alívio nessas situações. O calor úmido não apresenta a mesma eficácia.

A importância de manter atividade física moderada

A recomendação geral consiste em continuar com as atividades normais dentro do limite tolerável. O repouso absoluto nem sempre traz benefícios e pode até prejudicar a recuperação.

Caminhar e realizar movimentos que mantenham a musculatura ativa funcionam como proteção. A atividade muscular adequada fortalece a região e previne novos episódios de dor.

Esforços extremos que intensifiquem o desconforto devem ser evitados. O equilíbrio entre movimento e descanso varia conforme a intensidade e o tipo de dor que cada pessoa apresenta.

Quando o repouso total é realmente indicado

Situações específicas, como pinçamentos nervosos, podem exigir repouso absoluto temporário. Essa orientação costuma vir de profissional médico após avaliação do quadro.

No entanto, dores leves a moderadas causadas por contracturas não se beneficiam de imobilização prolongada. A musculatura inativa perde tônus, dificultando a recuperação posterior.

Sempre que possível, manter algum nível de atividade física sem dor representa a melhor estratégia. Diante de dúvidas sobre qual abordagem adotar, buscar orientação profissional é fundamental.

Erros frequentes no tratamento da dor de costas

O principal equívoco consiste em seguir conselhos genéricos de conhecidos sem considerar as particularidades de cada caso. O que funcionou para uma pessoa não necessariamente serve para outra, pois as dores têm origens e características distintas.

Outro erro comum é preferir sempre o medicamento mais concentrado. Muitos pacientes acreditam que o ibuprofeno de 600 miligramas alivia mais rapidamente por ter dosagem maior.

Na realidade, essa concentração não acelera o efeito analgésico em dores leves ou moderadas. O que acontece é maior agressão à mucosa gástrica, já que o ibuprofeno é gastrolesivo. A escolha da dose deve considerar a intensidade real do desconforto.

Produtos ortopédicos e quando podem ajudar

Existem dispositivos específicos para diferentes situações: entorses, dor lombar ou proteção durante exercícios com carga. Esses produtos não apenas aliviam sintomas, mas também funcionam preventivamente.

A recomendação desse tipo de recurso precisa ser personalizada. Em alguns casos, a proteção extra permite que a pessoa mantenha atividades básicas com menos desconforto.

Por outro lado, há situações em que deixar de usar proteção pode ser inadequado. Alguém com dor no pé que usa tornozeleira consegue caminhar um pouco. Sem a tornozeleira e com dor intensa, a pessoa pode não caminhar absolutamente nada, e essa imobilidade total às vezes também não é apropriada. A avaliação individual determina se o uso é necessário.

Como prevenir dor de costas no dia a dia

A prática regular de exercícios e alongamentos representa a melhor forma de prevenção. Manter a musculatura forte e flexível protege a coluna de lesões.

Pacientes com lombalgia crônica podem se beneficiar das vitaminas do complexo B. A combinação de B1, B6 e B12 oferece proteção neurológica e atua no nível neurológico, fortalecendo a região afetada.

Essas vitaminas não aliviam dor aguda imediatamente, mas auxiliam na melhora de quadros persistentes. O efeito é gradual e não se destina ao tratamento de dores pontuais, mas sim de problemas crônicos.

Quando procurar atendimento médico para dor nas costas

Dor muito intensa ou que surge subitamente exige avaliação profissional. A transição abrupta de ausência de sintomas para desconforto forte pode indicar problema mais sério.

Se a dor persiste ao longo do tempo ou piora progressivamente, buscar ajuda médica torna-se necessário. Sintomas associados, como febre ou perda de força muscular, também são sinais de alerta.

Tratar apenas com analgésicos nesses casos mascara sintomas importantes. A avaliação adequada permite identificar a causa real e direcionar o tratamento correto, evitando complicações futuras.

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