Hortelã-pimenta está na moda, mas o que a ciência realmente comprova sobre seus benefícios?
Planta conhecida pelo aroma refrescante aparece em alimentos, bebidas e produtos de cuidado pessoal, mas evidências médicas mais consistentes estão concentradas em um uso específico

A hortelã-pimenta voltou a ganhar espaço no dia a dia. Presente em balas, bebidas quentes, produtos de higiene e itens de cuidado pessoal, a planta é conhecida principalmente pelo aroma característico e pela sensação de frescor provocada pelo mentol. Mas, apesar da popularidade, nem todos os benefícios atribuídos a ela têm o mesmo respaldo científico.
A maior parte das evidências clínicas disponíveis está relacionada ao óleo de hortelã-pimenta e, principalmente, ao alívio de sintomas da síndrome do intestino irritável. Já os estudos sobre o consumo das folhas são considerados limitados.
A hortelã-pimenta é uma planta híbrida do gênero Mentha. Seu óleo essencial tem o mentol como um dos principais componentes, responsável pelo aroma e pela sensação refrescante.
De acordo com o 'National Center for Complementary and Integrative Health' (NCCIH), ligado aos National Institutes of Health (NIH), folhas e óleo de hortelã-pimenta são utilizados há séculos com finalidades relacionadas à saúde, especialmente para problemas digestivos.
No entanto, a instituição faz uma distinção importante entre as diferentes formas de utilização da planta. Enquanto as folhas ainda têm poucas pesquisas capazes de confirmar benefícios específicos, o óleo de hortelã-pimenta foi analisado em um número maior de estudos clínicos.
Nem toda forma de consumir hortelã-pimenta tem o mesmo efeito
O fato de a hortelã-pimenta estar presente em diferentes produtos não significa que todos eles tenham efeitos medicinais comprovados.
Uma bala saborizada, uma xícara de chá e uma cápsula contendo óleo de hortelã-pimenta com revestimento entérico são produtos bastante diferentes do ponto de vista clínico.
Segundo o NCCIH, as evidências mais consistentes estão relacionadas ao óleo de hortelã-pimenta utilizado em cápsulas com revestimento entérico. Esse tipo de formulação é desenvolvido para atravessar o estômago e liberar o conteúdo em uma região mais adiante do sistema digestivo.
Por isso, a popularidade da planta em alimentos, bebidas, cosméticos e produtos de higiene não deve ser confundida com uma comprovação médica ampla de seus benefícios.
O que a ciência indica sobre hortelã-pimenta para o intestino
Entre os possíveis usos da hortelã-pimenta, o que apresenta melhor respaldo científico é o alívio dos sintomas da síndrome do intestino irritável.
O 'American College of Gastroenterology' incluiu, em sua diretriz clínica de 2021, uma recomendação condicional favorável ao uso do óleo de hortelã-pimenta para melhorar de maneira geral os sintomas relacionados ao problema, conforme destacado pelo NCCIH.
Esse conjunto de evidências ajuda a explicar por que o óleo de hortelã-pimenta ocupa uma posição diferente de outras formas de consumo da planta.
A questão central é que os resultados de estudos feitos com uma determinada preparação não podem ser automaticamente aplicados a qualquer produto que contenha hortelã-pimenta.
E o chá de hortelã-pimenta?
O chá de hortelã-pimenta também aparece entre as formas tradicionais de consumo da planta. De acordo com o conteúdo analisado, ele parece ser seguro, embora ainda não se conheça bem o que pode ocorrer com o consumo prolongado de grandes quantidades.
Essa diferença entre uso tradicional e evidência clínica é importante. Uma planta pode ser consumida há muito tempo e, ainda assim, não ter estudos suficientes para confirmar todas as propriedades que lhe são atribuídas.
A hortelã-pimenta, portanto, ocupa um espaço curioso entre tradição, consumo cotidiano e pesquisa científica. Seu aroma e a sensação de frescor ajudam a explicar o sucesso comercial, enquanto os estudos disponíveis apontam para benefícios mais específicos.
No caso da saúde digestiva, o óleo de hortelã-pimenta em determinadas formulações é a forma que concentra as evidências mais consistentes. Para outros usos, porém, ainda são necessárias mais pesquisas antes que se possa afirmar que a planta oferece benefícios médicos comprovados.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



