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Túnel imerso debaixo do mar vai reduzir viagem de 1 hora para 5 minutos no Brasil

Conheça o primeiro túnel imerso do Brasil que conectará Santos e Guarujá em menos de 5 minutos; veja como funciona a construção

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Empreendimento prevê a construção de uma estrutura de 1,5km de extensão, sendo 870m submersa • Divulgação

Passar debaixo do mar dentro de um túnel parece coisa de filme de ficção científica, mas essa realidade está chegando ao Brasil. O país terá seu primeiro túnel imerso, uma estrutura de 1,5 quilômetro que ficará 870 metros sob as águas do Estuário de Santos.

A construção representa uma revolução na engenharia nacional. Ao invés de máquinas perfurarem o solo submarino, enormes blocos de concreto serão fabricados em terra, transportados flutuando e afundados de forma controlada no fundo do canal. Enquanto carros passam por dentro, navios continuarão circulando acima da estrutura.

O que torna o túnel imerso diferente de um túnel tradicional

A técnica de construção é o grande diferencial. Túneis convencionais utilizam máquinas escavadeiras gigantes que perfuram o solo de uma margem até a outra, criando a passagem subterrânea.

No túnel imerso, o método funciona de maneira completamente oposta. As peças são construídas em uma doca seca, longe do local final. Cada módulo de concreto passa por testes rigorosos antes de ser movimentado.

Depois de prontas, essas estruturas enormes flutuam até o ponto de instalação. Equipes especializadas posicionam cada bloco sobre uma trincheira previamente preparada no fundo do canal.

O afundamento acontece de forma controlada. Os módulos são conectados uns aos outros com precisão milimétrica. Areia e pedras protegem toda a estrutura ao final do processo.

Por que construir um túnel em vez de uma ponte sobre o canal

O canal do Estuário de Santos é a principal via de acesso ao maior porto do Brasil. Navios de grande porte entram e saem diariamente com carga para todo o país.

Uma ponte precisaria ter altura suficiente para a passagem dessas embarcações. A estrutura ficaria extremamente elevada, exigindo rampas longas e ocupando áreas urbanas nas duas margens.

O túnel imerso resolve essa equação. Ele libera completamente a superfície para a navegação. Os navios continuam operando normalmente enquanto os veículos circulam metros abaixo.

Como será a travessia pela estrutura de seis faixas

O projeto vai muito além de uma simples passagem para automóveis. A estrutura contempla seis faixas de rolamento, sendo três em cada sentido de circulação.

Uma dessas faixas poderá ser adaptada futuramente para receber o Veículo Leve sobre Trilhos. Haverá espaços dedicados à circulação de pedestres e ciclistas.

A travessia permitirá a passagem de carros, ônibus, caminhões, bicicletas e pessoas a pé. Rampas de acesso, viadutos e vias em superfície completam o sistema necessário para administrar e operar a estrutura.

Quanto tempo vai durar a travessia Santos-Guarujá pelo túnel

A redução no tempo de deslocamento impressiona. Hoje, quem precisa fazer a ligação entre as duas cidades depende principalmente das balsas ou de um percurso rodoviário muito mais longo.

A concessionária responsável calcula que a travessia atual leva cerca de 50 minutos. Em horários de maior movimento, o deslocamento por estrada pode ultrapassar uma hora completa.

Com o túnel pronto, esse tempo cai para menos de cinco minutos. A mudança beneficia especialmente trabalhadores, moradores e empresas que circulam diariamente entre os dois lados do Porto de Santos.

A nova passagem elimina a dependência das balsas. As filas e as condições operacionais da travessia marítima não afetarão mais quem escolher o túnel.

A conexão rodoviária com o sistema de acesso à BR-101

O planejamento ambiental prevê um novo acesso à Rodovia Cônego Domênico Rangoni no lado do Guarujá. Essa ligação terá aproximadamente dois quilômetros de extensão.

A nova via conectará o sistema viário ao norte do túnel com a rodovia. É por essa malha que o empreendimento se liga ao corredor rodoviário que dá acesso à BR-101, a Rio-Santos.

Documentos sobre a infraestrutura da Baixada Santista apontam a Cônego Domênico Rangoni e a Rio-Santos entre os principais acessos ao complexo portuário. O corredor da SP-055 possui ligação com a Rio-Santos em direção ao Litoral Norte paulista.

O túnel não será construído sobre a BR-101 nem desembocará diretamente nela. A ligação ocorre através do sistema rodoviário conectado à Cônego Domênico Rangoni.

O cronograma de construção do túnel de R$ 6,8 bilhões

O empreendimento avançou significativamente desde setembro de 2025, quando a Mota-Engil venceu o leilão. O contrato prevê concessão de 30 anos para implantação, operação e manutenção.

O investimento total estimado chega a R$ 6,8 bilhões. Recursos públicos da União e do Estado de São Paulo formam parte relevante da estrutura financeira, com participação também da iniciativa privada.

Em julho de 2026, a TSG Concessionária assinou o Termo de Transferência Inicial. O documento iniciou oficialmente a contagem dos prazos estabelecidos no contrato de concessão.

Durante 2026, a concessionária concentra trabalhos no desenvolvimento dos projetos funcional e executivo. Estudos complementares, licenciamentos ambientais e providências relacionadas às áreas necessárias ocupam essa fase.

A construção física ganha escala a partir de 2027. O cronograma prevê para esse período a instalação dos canteiros de obras, a construção da doca seca e as primeiras dragagens.

Em 2028, devem ocorrer a fabricação das peças pré-moldadas, a dragagem da trincheira no canal e a execução das rampas de acesso. O ano de 2029 será um dos momentos mais impressionantes: os enormes elementos de concreto serão levados até o canal, submersos e unidos.

O ano de 2030 fica destinado principalmente aos acabamentos, instalação dos sistemas e testes operacionais. A previsão mais recente da TSG Concessionária indica 2031 para o início da operação comercial.

O impacto para a mobilidade da Baixada Santista

Depois de décadas de discussões sobre uma ligação fixa entre as duas margens, a transformação será histórica. Motoristas poderão cruzar por baixo do canal em menos de cinco minutos enquanto navios continuam circulando sobre a estrutura.

Além de conectar Santos e Guarujá, o novo túnel fortalecerá os acessos ao Porto de Santos. A infraestrutura criará uma conexão eficiente com a malha formada pela Cônego Domênico Rangoni e pelo corredor que leva à Rio-Santos.

A obra representa um marco na engenharia brasileira. Será a primeira vez que o país utiliza a tecnologia de túnel imerso, abrindo caminho para futuros projetos semelhantes em outras regiões costeiras.

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