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Eles gastam mais de 5 milhões de dólares para soltar 30 aves, mas em 6 meses 29 já foram mortas

De 30 tetraz-galhudo-cantábrico, apenas uma fêmea sobreviveu

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Soltura de 30 tetrazes-galhudos-cantábricos, uma espécie emblemática, resultou na sobrevivência de apenas uma fêmea
Soltura de 30 tetrazes-galhudos-cantábricos, uma espécie emblemática, resultou na sobrevivência de apenas uma fêmea • Pixabay

A Espanha atua firmemente para reabilitar uma de suas espécies mais tradicionais e sob risco de extinção: o tetraz-galhudo-cantábrico. Contudo, uma ação recente de preservação expôs um cenário difícil, fundamental para entender os obstáculos vivenciados por essa ave em situação crítica de perigo. Na província de León, 30 indivíduos produzidos em cativeiro por meio do Centro de Criação e Reserva Genética de Valsemana foram devolvidos à natureza, uma medida estruturada para encorpar os escassos grupos selvagens que restam na Cordilheira Cantábrica. Apesar disso, decorrido um semestre da soltura, somente uma fêmea da espécie continuava com vida. Houve um investimento superior a 5 milhões de dólares para a introdução dos 30 espécimes na natureza, e as raposas acabaram consumindo 29 deles.

O teste foi realizado na Zona de Proteção Especial para Aves (ZPE) do Alto Sil, uma das regiões tidas como cruciais para a salvaguarda da espécie. A meta consistia não só em expandir a quantidade desses espécimes no ambiente selvagem, mas também analisar o modo como os animais nascidos em ambientes monitorados reagiriam antes de projetar novas introduções em proporções maiores.

Previamente à soltura, os tetrazes-grandes passaram por uma etapa progressiva de ambientação. As aves acabaram separadas em cinco conjuntos e permaneceram por semanas em cercados de aclimatação para se habituarem ao ecossistema nativo. A etapa inicial demonstrou-se positiva e boa parte das aves resistiu com êxito aos momentos iniciais em ambiente livre.

No entanto, ao final desse intervalo de tempo, o panorama se transformou radicalmente. O acompanhamento feito por meio de aparelhos de GPS e emissores de rádio VHF possibilitou aos cientistas identificar com exatidão o paradeiro das aves. Dos 29 espécimes acompanhados, apenas uma fêmea continuava viva após 180 dias da liberação, o que representa um índice de sobrevivência de somente 3,4%.

Os registros computados pelos cientistas apontaram que o perigo central provinha de predadores nativos. A raposa ocupou o topo do levantamento com 12 investidas comprovadas, vindo na sequência as aves de rapina, causadoras de seis baixas, e a marta-esguia, um mamífero carnívoro de pequeno porte ao qual foram creditadas quatro mortes.

O tetraz-galhudo-cantábrico (Tetrao urogallus cantabricus) consiste em uma subespécie localizada unicamente na porção norte do território espanhol, e seu panorama atual é alarmante. Perto da metade do século passado, calculava-se a presença de alguns milhares de indivíduos nas elevações cantábricas, porém a degradação do ambiente natural, a divisão das áreas de mata, a interferência das pessoas e a ação de predadores provocaram a queda drástica da população. Nos dias de hoje, os levantamentos apontam que restam menos de 300 espécimes na natureza.

Independentemente do elevado índice de óbitos constatado nessa amostragem, os coordenadores da ação avaliam que a iniciativa cumpriu sua meta central. O conhecimento reunido servirá de base para o desenho de táticas mais eficientes em solturas posteriores, o aperfeiçoamento no treinamento de espécimes desenvolvidos em cativeiro e a melhor compreensão dos componentes que restringem a sobrevivência da ave depois de restabelecida em seu meio ambiente.

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