Eles degradaram o fundo do mar e construíram 1.122 hectares de território artificial para desafiar a China
Obras de aterramento transformam recifes em ilhas artificiais no Mar da China Meridional, ampliam também a presença militar e provocam danos ambientais

O Vietnã está transformando recifes de corais e formações rochosas no Mar da China Meridional em grandes ilhas artificiais para ampliar sua presença militar em uma das regiões mais disputadas da Ásia. O projeto já soma aproximadamente 1.122 hectares de território construído sobre o mar e aumenta a tensão com a China, que também reivindica soberania sobre o arquipélago das Spratly.
A expansão ocorre por meio de operações de dragagem e aterramento. Navios retiram areia e sedimentos do fundo do oceano e depositam o material sobre os recifes, ampliando as áreas que antes ficavam parcialmente submersas. As novas superfícies podem receber portos, edifícios militares, pistas de pouso e sistemas de vigilância.
Um dos principais exemplos da operação é o recife Barque Canada. O Vietnã iniciou os trabalhos no local no fim de 2021 e, na primavera de 2025, havia concluído a construção de uma extensa área artificial. Atualmente, a estrutura conta com instalações portuárias e uma pista de pouso, tornando-se a maior instalação vietnamita no arquipélago.
A expansão também alcançou outros pontos da região. Em agosto de 2025, análises do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) identificaram obras de dragagem e aterramento em outras oito formações. O país ampliou, assim, as 21 áreas que ocupa nas ilhas Spratly.
Em maio de 2026, o CSIS estimou que o Vietnã já havia criado aproximadamente 2.771 acres de território artificial, o equivalente a 1.122 hectares.
Disputa militar com a China
A construção das ilhas tem importância estratégica para o Vietnã. A instalação de portos e estruturas militares facilita o abastecimento de tropas, amplia a capacidade de movimentação de embarcações e melhora o monitoramento de uma região fundamental para a navegação internacional.
A iniciativa também representa uma resposta à expansão chinesa no Mar da China Meridional. Pequim mantém reivindicações territoriais sobre grande parte da região e construiu suas próprias estruturas artificiais em recifes e áreas marítimas disputadas.
A disputa envolve diferentes países asiáticos e tem como centro o controle de territórios, rotas comerciais e recursos naturais no mar.
Construção de ilhas provoca danos ambientais
A expansão territorial, porém, tem consequências para o meio ambiente. As operações de dragagem e aterramento destroem recifes de corais e modificam ecossistemas marinhos, afetando habitats importantes para a biodiversidade.
De acordo com estimativas do CSIS divulgadas em maio de 2026, as intervenções vietnamitas já haviam afetado aproximadamente 4.120 acres de recifes de coral, cerca de 1.667 hectares. O cálculo considera tanto as áreas cobertas pelo aterramento quanto os trechos dragados para a abertura de canais e a construção de portos.
Assim, enquanto amplia sua capacidade militar e consolida sua presença em uma região estratégica, o Vietnã também provoca alterações ambientais significativas no Mar da China Meridional.
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