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Eles abandonaram uma cidade em 1986 após a explosão nuclear e, 40 anos depois, se surpreenderam

Quarenta anos após o acidente nuclear de Chernobyl, imagens de satélite revelam como a natureza avançou sobre áreas que ficaram abandonadas

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animais em chernobyl
Animais em Chernobyl • Imagem gerada por IA

Em 26 de abril de 1986, uma explosão no reator número 4 da usina nuclear de Chernobyl provocou uma das maiores catástrofes nucleares da história. O acidente levou à evacuação de cidades e comunidades próximas à usina, entre elas Pripyat, construída para abrigar trabalhadores da central e suas famílias.

Sem a presença dos moradores e com a redução das atividades humanas, o território ao redor da usina começou a mudar. Áreas agrícolas deixaram de ser cultivadas, a manutenção das cidades foi interrompida e a vegetação passou a ocupar espaços antes utilizados pela população.

Florestas avançaram na região de Chernobyl

Um estudo publicado em 2021 analisou imagens de satélite da Zona de Exclusão de Chernobyl entre 1986 e 2020. Os dados mostram um aumento significativo da cobertura florestal, principalmente sobre antigas áreas agrícolas abandonadas após o desastre.

Na área analisada, a cobertura florestal densa representava 41% do território em 1986. Em 2020, o índice havia chegado a aproximadamente 59,5%.

O crescimento não ocorreu de maneira uniforme. Grandes incêndios registrados em 1992, entre 2015 e 2016 e em 2020 provocaram perdas de vegetação. Mesmo assim, o resultado geral das quatro décadas foi de expansão da área florestal.

Pripyat foi tomada pela vegetação

A cidade de Pripyat também passou por uma transformação visível. Sem jardinagem, limpeza das ruas e manutenção dos edifícios, árvores e outras plantas começaram a ocupar áreas urbanas.

A vegetação avançou sobre espaços que antes eram dominados por construções, ruas e estruturas utilizadas diariamente pelos moradores.

A região também passou a registrar a presença de animais como lobos, alces, cervos e javalis. Segundo as pesquisas, a redução da atividade humana é um dos fatores considerados pelos cientistas para explicar a presença da fauna na Zona de Exclusão.

Apesar da recuperação da vegetação e do aumento da fauna, isso não significa que a radiação tenha desaparecido ou que o ambiente tenha sido completamente recuperado dos efeitos do acidente nuclear.

Quatro décadas após a explosão, Chernobyl permanece como uma das áreas mais estudadas do mundo para compreender os efeitos de um desastre nuclear e as transformações ambientais provocadas pela ausência prolongada de seres humanos.

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