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Uma análise assinada pelo pesquisador Christian Brakenridge, do Iverson Health Innovation Research Institute, da Swinburne University of Technology. reúne evidências científicas sobre os benefícios reais de caminhar enquanto se trabalha. O artigo foi publicado pelo site The Conversation.
Com o home office, atividades cotidianas que antes garantiam movimento, como deslocamentos, idas ao café ou conversas presenciais, praticamente desapareceram. O resultado são jornadas longas diante do computador e dificuldade para atingir níveis mínimos de atividade física recomendados para a saúde.
Estudos já mostraram que caminhar regularmente ajuda a controlar a pressão arterial e a glicose no sangue. Pesquisas mais recentes apontam que cerca de 7 mil passos por dia são suficientes para reduzir o risco de diversas doenças. A Organização Mundial da Saúde também passou a valorizar qualquer tipo de movimento ao longo do dia, sem exigir períodos mínimos contínuos de exercício.
Nesse contexto, pausas curtas e frequentes, como pequenas caminhadas durante o expediente, podem trazer mais benefícios do que uma única sessão longa de atividade física. Para quem trabalha em casa, somar passos aos poucos virou uma estratégia possível.
Pesquisas recentes indicam que o uso de ‘walking pads’ sob a mesa pode ajudar nesse processo. Embora os estudos ainda sejam limitados, os resultados apontam redução de gordura corporal, melhora da pressão arterial, do colesterol e do metabolismo, principalmente quando o uso é constante.
De acordo com dados citados por Brakenridge, trabalhadores sedentários aumentaram entre 1.600 e 4.500 passos por dia com o uso dessas esteiras. A maior perda de peso foi observada em pessoas com obesidade. Em outro estudo, médicos com sobrepeso reduziram a gordura corporal em quase 2 por cento após incorporar a caminhada à rotina de trabalho.
Também houve registros de aumento médio de 43 minutos diários de caminhada leve. Mesmo assim, alguns participantes relataram dificuldade para manter o hábito em dias de trabalho mais intensos. Por isso, especialistas ressaltam que os resultados variam de pessoa para pessoa e dependem principalmente da regularidade.
Além dos benefícios, há desafios práticos. Caminhar enquanto digita ou usa o mouse pode ser complicado, especialmente em tarefas que exigem precisão. As pesquisas não identificaram prejuízos cognitivos, mas apontaram pequenas perdas na destreza manual. Para contornar isso, alguns usuários recorreram ao uso de comandos de voz.
O custo também pesa na decisão. Modelos básicos de esteiras podem custar caro e ainda exigir um escritório com altura ajustável. Esse investimento levanta a dúvida se não seria mais simples e barato fazer pausas regulares para caminhar longe da mesa.