A pesquisa acompanhou 425 corredores nos Países Baixos e revelou que quem dormia menos de sete horas tinha uma probabilidade de 68 por cento de se machucar em um ano. O risco era 1,78 vez maior em comparação a quem conseguia entre sete e nove horas de sono. Para os pesquisadores, o descanso é um fator crítico na prevenção de lesões, mas ainda subestimado por muitos atletas.
O estudo, liderado pelo psicólogo esportivo Jan de Jonge, da Universidade Tecnológica de Eindhoven, identificou quatro perfis de sono: estáveis, deficientes, eficientes e fragmentados. Os corredores classificados como deficientes, que dormiam menos e com pior qualidade, apresentaram o mesmo índice de risco de 68 por cento. A análise considerou aspectos demográficos e de treinamento e reforçou que não apenas a quantidade de horas dormidas importa, mas também a qualidade do sono.
Problemas como dificuldade para adormecer, despertares frequentes e sensação de cansaço ao acordar aumentam ainda mais a vulnerabilidade a lesões. Para os especialistas, esses dados devem levar profissionais de saúde e treinadores a revisar rotinas de descanso de atletas e corredores amadores.
Por que o sono influencia
De acordo com a médica Jill Kropa, especialista em medicina esportiva, é durante o sono que o corpo recupera o desgaste muscular e fortalece tecidos fundamentais para evitar lesões. Quando o descanso não é suficiente, os músculos não conseguem se reconstruir adequadamente.
O neurologista e especialista em medicina do sono W. Christopher Winter explicou que a falta de sono reduz a coordenação e o julgamento, ampliando a chance de erros físicos e cognitivos durante a prática da corrida. Além disso, dormir mal aumenta os níveis de inflamação no organismo.
Os pesquisadores destacam que o descanso adequado também consolida o aprendizado, regula hormônios e melhora o desempenho geral.
Consequências de dormir mal
Segundo Sargent e Roach, dormir apenas cinco ou seis horas por noite aumenta em até 4,5 vezes o risco de infecções respiratórias. A privação de sono também reduz a velocidade de reação, compromete movimentos, diminui a precisão técnica e torna os treinos mais cansativos.
Equipes de elite adotam estratégias como ônibus de recuperação e personalização de colchões, como ocorre no Tour de France, onde ciclistas chegam a dormir 7,2 horas por noite. No entanto, essas soluções ainda não são acessíveis para todos.
Como melhorar o sono e reduzir o risco de lesões
Para especialistas, priorizar o descanso é fundamental para prevenir lesões. Jill Kropa recomenda que corredores durmam entre sete e oito horas por noite.
Entre as orientações dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos e de especialistas estão:
- Manter horários regulares para dormir e acordar
- Criar um ambiente silencioso, escuro e fresco
- Desligar aparelhos eletrônicos pelo menos 30 minutos antes de deitar
- Evitar refeições pesadas, álcool e cafeína à noite
- Praticar exercícios regularmente e manter uma alimentação equilibrada
Em nível profissional, recomenda-se planejar treinos e competições de forma a preservar noites de descanso, além de controlar o estresse e reduzir a exposição a telas antes de dormir.
Caso as dificuldades de sono persistam, especialistas aconselham buscar avaliação médica.