Belo Horizonte
Itatiaia

Dona da Brastemp investirá R$ 300 milhões em SP após fechar fábrica na Argentina

Nova estrutura em Rio Claro aposta na automação e na nacionalização de componentes

Por
Whirpool levou toda produção de máquinas de lavar de abertura frontal para o interior de São Paulo
Whirpool levou toda produção de máquinas de lavar de abertura frontal para o interior de São Paulo • Divulgação

A Whirlpool, gigante do setor de eletrodomésticos e detentora das marcas Brastemp, Consul e KitchenAid, está transformando sua unidade em Rio Claro (SP) no maior centro de fabricação de máquinas de lavar da América Latina. A estratégia envolve um investimento superior a R$ 300 milhões e a transferência integral da linha de lavadoras de abertura frontal (front-load), que antes era operada na Argentina.

O anúncio oficial da expansão, no começo desta semana, contou com a presença de autoridades, incluindo o vice-presidente Geraldo Alckmin e o vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth. A Whirlpool estima que a expansão vai gerar 2,8 mil empregos diretos e indiretos na região.

A nova estrutura em Rio Claro aposta na automação e na nacionalização de componentes. A fábrica contará com mais de 20 robôs industriais e atingirá um índice de 95% de peças produzidas no Brasil, o que protege a operação contra instabilidades logísticas e variações no câmbio.

Além do avanço tecnológico, o projeto tem um forte impacto social, com a previsão de gerar 2.800 empregos, entre diretos e indiretos, com o início da produção agendado para setembro de 2026.

Recuo estratégico

A consolidação no Brasil ocorre paralelamente ao encerramento das atividades fabris em Pilar, na Grande Buenos Aires.

A decisão foi formalizada em abril de 2026, quando o conselho da empresa aprovou a transferência dos ativos argentinos, avaliados em US$ 36,7 milhões (cerca de R$ 194 milhões), para reforçar a unidade paulista.

Contexto econômico

A mudança reflete o cenário industrial desafiador na Argentina sob a administração de Javier Milei.

Com políticas de austeridade e abertura comercial, a produção local de eletrodomésticos sofreu uma queda drástica de 38% em fevereiro de 2026, na comparação anual.

O setor foi pressionado pela entrada de produtos importados mais baratos, afetando diretamente a viabilidade da manufatura em Pilar.

Apesar do fim da fabricação local, a Whirlpool manterá sua presença na Argentina apenas como distribuidora, abastecendo o mercado com produtos vindos de outras unidades do grupo, prioritariamente do Brasil.

Por

A Rádio de Minas. Tudo sobre o futebol mineiro, política, economia e informações de todo o Estado. A Itatiaia dá notícia de tudo.