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O que significa precisar deixar a casa impecável o tempo inteiro, segundo a psicologia

Psicóloga explica que organizar a casa o tempo todo pode não ser perfeccionismo, mas uma forma de regular as emoções

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Arrumar casa
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Algumas pessoas não conseguem relaxar se a casa estiver suja ou bagunçada. Embora isso seja frequentemente interpretado como perfeccionismo, a psicologia revela que essa necessidade constante de controle geralmente está ligada a questões emocionais mais profundas.

De acordo com a psicóloga Sara Navarrete, em muitos casos a organização funciona como um mecanismo para acalmar o que sentimos internamente. Para muitas pessoas, arrumar a casa está mais relacionado ao bem-estar emocional do que à estética.

A especialista explica que "a ordem externa frequentemente atua como um meio de regular nosso mundo interno. Para alguns, organizar o ambiente não é apenas uma questão prática ou estética, mas emocional. Quando enfrentam incertezas, estresse, caos mental ou ansiedade, a arrumação oferece uma sensação imediata de calma e controle."

A psicóloga ressalta que a casa frequentemente reflete nosso estado interior. "Muitas pessoas acreditam que, se o ambiente estiver organizado, elas também estarão. É um símbolo, uma projeção do nosso mundo interno no exterior", explica.

O cérebro humano necessita de certa previsibilidade para se sentir seguro. Por isso, a ordem transmite estabilidade, estrutura e a sensação de controle sobre o ambiente, conforme a psicóloga. Essa necessidade de controle torna-se especialmente evidente em momentos emocionalmente desafiadores: pessoas que enfrentam términos de relacionamento, estresse no trabalho, ansiedade ou grandes mudanças tendem a focar mais nos detalhes.

Existem pessoas que são especialmente sensíveis à desordem?

Nem todos percebem a "bagunça" da mesma forma. Sara Navarrete destaca que pessoas particularmente sensíveis à desorganização geralmente cresceram em ambientes emocionalmente instáveis ou muito estressantes. Para elas, a ordem externa oferece uma sensação de segurança e estabilidade emocional.

A desordem costuma ser associada, de forma inconsciente, a emoções como exaustão, fracasso ou sobrecarga. Por isso, algumas pessoas sentem ansiedade quando a casa está desorganizada após dias estressantes ou de trabalho intenso. A desordem torna-se uma representação visível dessa exaustão mental.

Por que a ordem proporciona apenas um alívio momentâneo da ansiedade?

O problema surge quando a tranquilidade depende da perfeição em todos os aspectos. Nesse caso, a ordem deixa de ser um recurso para o bem-estar e torna-se uma exigência constante. "Uma ordem saudável acalma e é funcional. Porém, quando tudo precisa estar perfeito para que se possa relaxar, descansar ou socializar normalmente, isso indica um problema", destaca a psicóloga.

Isso ocorre, por exemplo, quando alguém não consegue aproveitar o jantar por estar focado em organizar tudo imediatamente, fica extremamente irritado se algo é movido ou sente a necessidade de verificar constantemente se tudo está perfeito antes de dormir.

Navarrete destaca que a tranquilidade depois de deixar tudo em ordem é breve, pois a ansiedade retorna assim que a desordem reaparece.

Como diferenciar o gosto pela ordem do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)?

A psicóloga enfatiza que ser muito organizado não implica necessariamente ter TOC. Há indivíduos organizados ou perfeccionistas sem qualquer transtorno psicológico. Contudo, certos sinais podem indicar uma necessidade subjacente de controle constante:

  • A pessoa sente uma ansiedade intensa se não consegue limpar ou arrumar.
  • Ele acredita que algo ruim pode acontecer se ele não realizar certos rituais.
  • A ordem ocupa grande parte do dia e gera sofrimento.
  • Por esse motivo, ocorrem discussões frequentes com familiares ou parceiros.
  • a pessoa não consegue relaxar se algo estiver fora do lugar.
  • Existe uma necessidade rígida e inflexível de manter tudo perfeito.

Segundo a especialista, a flexibilidade é fundamental. "Um equilíbrio saudável depende da flexibilidade. A organização deve facilitar a vida, não dominá-la", destaca Sara Navarrete. Por isso, a psicóloga aconselha a aceitar certas imperfeições sem angústia, reservar momentos para o descanso e refletir sobre as razões que motivam a necessidade constante de controlar tudo.

"É essencial questionar-se: arrumo porque realmente gosto ou porque não suporto a sensação de falta de controle? Consigo relaxar mesmo se algo estiver fora do lugar?", ela questiona. " A verdadeira paz de espírito não surge quando tudo está perfeito, mas sim quando você consegue continuar bem mesmo quando as coisas não estão", reflete.

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Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.